- 02/06/2026
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Dois ataques de tubarão em 48 horas deixam jovem e criança com amputações no litoral de Pernambuco
Um clima de lazer e descontração foi interrompido bruscamente na tarde desta segunda-feira (1º) na praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, teve a perna direita arrancada após ser atacada por um tubarão-tigre enquanto tomava banho de mar. O incidente ocorre apenas 24 horas depois que João Lucas Castor Nemezio Sales, de 11 anos, foi mordido por um tubarão cabeça-chata na vizinha Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.
Segundo relatos de familiares, o grupo estava na areia para se divertir e consumir bebidas típicas quando a tragédia aconteceu. “Fomos para a praia nos distrair, tomar um caldinho. De repente, ocorreu o imprevisto. Ela avisou que entraria na água para um mergulho rápido e, subitamente, o animal a atacou”, relatou Jonas André de Lima, primo da vítima e vigilante profissional, em entrevista à TV Globo.
Resgate improvisado e ação decisiva
Jonas foi a primeira pessoa a reagir ao perceber que a prima estava em dificuldades. “Eu mesmo entrei na água para socorrê-la. Notei que ela estava se afastando e perdendo as forças. Segurei-a pelo braço e nadei trazendo-a para a margem, onde outras pessoas vieram ajudar. Ao chegarmos, já era possível ver a gravidade: ela estava muito ferida e sem a perna”, descreveu o primo.
A rapidez no atendimento inicial foi determinante para a sobrevivência de Marcela. Um médico mineiro, que estava casualmente na praia, aplicou um torniquete no membro lesionado imediatamente após o resgate. Petrus Andrade Lima, diretor do Hospital da Restauração (HR), destacou a importância vital dessa medida.
“O procedimento foi extremamente adequado. Em casos de hemorragias massivas com risco iminente de morte, especialmente quando há amputação de membros, o torniquete é uma ferramenta que salva vidas ao estancar o sangramento”, explicou o médico.
Quadro clínico grave
Marcela deu entrada no HR em estado de choque hemorrágico profundo, tendo perdido grande volume sanguíneo. A cirurgia para conter a hemorragia e tratar a área da amputação, realizada na coxa, foi concluída na noite de segunda-feira. Atualmente, ela permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sob monitoramento constante devido ao alto risco de infecções e necessidade de novas transfusões de sangue.
Este é o segundo registro de ataque de tubarão com vítimas graves em menos de dois dias no Grande Recife. No domingo (31), o menino João Lucas foi atacado na Praia de Piedade, sofrendo mordidas na mão e na coxa esquerda, o que culminou na amputação da perna esquerda. Assim como Marcela, a criança chegou ao hospital em estado gravíssimo, tendo perdido quase todo o volume de sangue corporal.
De acordo com a direção do HR, o estado de saúde do menino é considerado grave, porém estável, e ele segue em tratamento na UTI Pediátrica. Ambos os casos reacendem o debate sobre a segurança nas praias do litoral sul de Pernambuco, região historicamente associada a incidentes com tubarões.
