• 03/06/2026
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Condenado por feminicídio é julgado por tentativa de homicídio e volta a ameaçar família no Recife

Condenado por feminicídio é julgado por tentativa de homicídio e volta a ameaçar família no Recife

Um homem já condenado por feminicídio enfrenta um novo Tribunal do Júri nesta quarta-feira (3) na capital pernambucana. Jorge Bezerra da Silva é julgado pela tentativa de homicídio de sua ex-companheira, a cabeleireira Priscilla Monnick Laurindo da Silva, ocorrida em abril de 2021 — meses antes de ele a assassinar definitivamente em janeiro de 2022. Durante a sessão no Fórum Thomaz de Aquino, no bairro de Santo Antônio, o réu voltou a proferir ameaças de morte contra os familiares da vítima.

O histórico de intimidação do acusado no ambiente forense não é novo. Em seu primeiro julgamento, referente ao feminicídio consumado, Jorge foi retirado da sala de audiências após ameaçar o promotor e a irmã de Priscilla. Agora, no novo júri, o padrão se repetiu. Visivelmente alterado, o réu jurou novamente matar a família da ex-companheira, dirigindo-se ao tribunal com a frase: “Você pode me dar 50 anos, mas eu vou matar ela”.

O ataque de 2021

O crime em julgamento ocorreu em 10 de abril de 2021. Na época, Priscilla possuía medida protetiva de urgência e Jorge usava tornozeleira eletrônica. Ignorando as restrições, ele rompeu o equipamento de monitoramento e invadiu a casa da mãe da vítima. Priscilla estava com a filha recém-nascida do casal no colo. Segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), o acusado desferiu facadas e mirou na bebê. A mãe conseguiu desviar o golpe, protegendo a criança, que sofreu apenas arranhões.

A tentativa de homicídio foi testemunhada pela irmã mais nova de Priscilla, que era adolescente na época e estava escondida no quarto. Ao ver o ataque, ela gritou por socorro, o que precipitou a fuga de Jorge. Com medo de ser capturado em flagrante, ele abandonou o capacete de moto na cena e permaneceu foragido por um período. Priscilla sobreviveu ao receber atendimento médico de emergência.

O feminicídio

A violência escalou para o desfecho trágico em janeiro de 2022. Incapaz de aceitar o fim do relacionamento, Jorge esfaqueou Priscilla no pescoço e a asfixiou na residência onde moravam, no bairro do Zumbi, Zona Oeste do Recife. Após o crime, ele deixou a filha do casal na casa de seus próprios pais e fugiu. O corpo da cabeleireira foi encontrado pelo pai do assassino. Jorge só foi capturado oito meses após o feminicídio e, em 2025, foi condenado a 29 anos e 8 meses de reclusão.

Dor e consequências

O promotor Bruno Santacatharina, responsável pela acusação, ressaltou que o réu já havia feito novas ameaças à família durante a audiência de instrução. A dor e o temor dos familiares de Priscilla permanecem vivos. “Estou lutando por justiça. Quem perdeu minha filha fui eu. Sei que nada traz ela de volta, mas ele tem que pagar. Esse homem tem que estar longe da sociedade”, desabafou Joceane Paulino, mãe da vítima e atual guardiã da órfã. A tia da vítima, Leane Paulino, reforçou o clima de terror: “Só Deus sabe o que minha sobrinha passou. A família ainda tem medo dele”.

De acordo com a promotoria, uma nova condenação neste júri trará impactos diretos na execução penal de Jorge. Ele perderá direitos a benefícios como a progressão de regime de cumprimento de pena e saídas temporárias.

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