- 18/07/2026
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Divisão no PT-PE: Maioria dos prefeitos petistas abraça a reeleição de Raquel Lyra
O xadrez político para as eleições de 2026 em Pernambuco já começou a ser desenhado, e os primeiros movimentos revelam uma cisão significativa dentro do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado. Dos seis prefeitos eleitos pela legenda em municípios pernambucanos, a maioria — representada por quatro gestores — já declarou apoio público à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). Os outros dois permanecem fiéis ao projeto político do prefeito do Recife, João Campos (PSB), apontado como um dos principais adversários na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
Os prefeitos que oficializaram seu alinhamento com Raquel Lyra são Flávio Marques, de Tabira; Branco de Geraldo, de Jurema; George de Sidney, de Granito; e Gildo Dias, de Sairé. Esse grupo, que corresponde a 66,7% da bancada petista nos executivos municipais, fortalece a base de sustentação política da governadora. O movimento é estrategicamente relevante, pois demonstra a capacidade de Raquel Lyra de atrair aliados de espectros ideológicos distintos, consolidando uma frente ampla apesar da diferença partidária em nível nacional entre PSD e PT.
Em contrapartida, Márcia Conrado, prefeita de Serra Talhada, e Edmilson da Bahia, gestor de Correntes, mantêm-se no campo de influência de João Campos. Essa divisão interna, onde 33,3% dos prefeitos petistas seguem o líder do PSB, evidencia que a legenda não está monolítica em suas preferências para a sucessão estadual. O cenário sugere que o PT pernambucano vivencia um momento de tensão entre a lealdade às bases tradicionais, muitas vezes alinhadas ao projeto nacional do partido, e o pragmatismo político local, que enxerga na gestão atual uma oportunidade de continuidade ou de negociação de pautas específicas.
A antecipação dessas declarações serve como um termômetro para o clima eleitoral que se avizinha. A capacidade de Raquel Lyra em angariar apoios fora de sua própria sigla, especialmente entre gestores de um partido de oposição federal, indica uma estratégia agressiva de ampliação de capital político. Por outro lado, a resistência de parte do PT em seguir João Campos reforça a importância do capital político acumulado pelo prefeito recifense, que segue sendo uma figura central no tabuleiro político estadual. Resta saber se essa divisão inicial se manterá ou se novas negociações poderão remodelar essas alianças até a definição oficial das candidaturas.
