- 02/08/2026
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Renan Santos oficializa candidatura pelo Missão: “Vamos matar quem roubar” e rejeita rótulo de terceira via
O partido Missão oficializou, neste sábado (1º), em São Paulo, a candidatura do empresário Renan Santos à Presidência da República. Em seu primeiro pleito presidencial, a sigla — fundada por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) — apresentou um discurso marcado por críticas ácidas tanto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto ao senador Flávio Bolsonaro (PL). O tom beligerante ficou evidente na defesa explícita de medidas extremas para a segurança pública: “Ninguém vai roubar nada que é teu, porque nós vamos matar quem roubar”, afirmou o candidato durante o ato.
Renan Santos fez questão de se distanciar do conceito de “terceira via”, termo que classifica pejorativamente como uma “oposição da oposição”. Para ele, sua postulação não se define pela negação do adversário, mas por um projeto autônomo. “Não somos como outros ratos que se vestem de verde e amarelo só para dizerem que são o oposto do Lula. Quando você se define pelo inimigo, nunca o supera”, declarou. O candidato posicionou sua campanha como uma alternativa de “luz” após décadas de hegemonia petista, rejeitando a ideia de ser apenas um antipetista genérico.
As críticas ao campo bolsonarista foram igualmente contundentes. Renan classificou Flávio Bolsonaro como “farsante” e “corrompido”, argumentando que o senador está sendo preparado politicamente para perder no segundo turno. Segundo o candidato do Missão, a estratégia atual visa tirar Flávio da disputa final para que os ataques do petismo se voltem contra ele próprio, repetindo a dinâmica observada durante o impeachment de Dilma Rousseff. Pesquisas recentes do Datafolha indicam que Renan tem 3% das intenções de voto, tecnicamente empatado com nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), enquanto Lula lidera com 40% e Flávio aparece em segundo com 32%.
A segurança pública é o eixo central da plataforma apresentada. Além da retórica punitivista, o plano de governo estabelece metas ambiciosas: reduzir os homicídios a no máximo 10 mil por ano (contra mais de 40 mil registrados em 2025), retirar 8 milhões de pessoas de favelas transformando 6 mil comunidades em bairros urbanizados, e alfabetizar 90% das crianças. Na esfera econômica, a promessa é baixar os juros para menos de 6% e alcançar superávit nominal. No campo geopolítico, Renan defendeu a retomada do programa espacial brasileiro e a construção de armas nucleares e caças de última geração utilizando terras raras nacionais, visando garantir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU por relevância estratégica, e não por diplomacia tradicional.
O evento também marcou o lançamento do “Livro Amarelo”, publicação dividida em três volumes e 14 capítulos que detalha o programa de governo. O documento prevê um ajuste fiscal de R$ 3,3 trilhões — descrito como maior que o Plano Real —, reformas na educação, zeramento da fila do SUS e recuperação do *soft power* brasileiro. A coordenação da campanha anunciou ainda a criação do Instituto Livro Amarelo, destinado a fornecer base programática sólida para candidatos da sigla em todas as esferas. O vice na chapa será o militar da reserva Aroldo Medina, que prometeu, em discurso, comandar pessoalmente operações de ordem em áreas conflagradas do Rio de Janeiro.
Esta é a estreia eleitoral do Missão, que obteve registro na Justiça Eleitoral no fim do ano passado e até o momento não formalizou alianças com outras legendas. O ato em São Paulo contou com a apresentação de candidatos aos governos de nove estados e teve ingressos que variaram de R$ 174 a mais de R$ 7 mil, cujos recursos serão destinados ao financiamento das campanhas. Renan Santos, de 42 anos, é empresário, ativista político e cofundador do MBL, tendo participado ativamente dos movimentos pelo impeachment em 2015 e 2016. Estudou Direito na USP sem concluir o curso e já havia sido oficializado como pré-candidato em julho, em evento fechado devido a ameaças de facções criminosas.
