- 09/10/2026
- Sem Comentário
- 4 Minutos de Leitura
Augusto Cury declara apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno com “voto de confiança condicionado”
O escritor Augusto Cury (Avante), que terminou o primeiro turno das eleições presidenciais em terceiro lugar com cerca de 3,4 milhões de votos (2,89% dos válidos), anunciou nesta quinta-feira (8) seu apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno. A decisão, divulgada após uma videochamada entre os dois na manhã desta quinta, rompe com a declaração anterior de Cury de que não apoiaria nenhum dos candidatos à Presidência.
O apoio, no entanto, não é irrestrito. Em um documento público assinado por ambos, Cury definiu sua adesão como um “voto de confiança condicionado”. O texto estabelece que o suporte do escritor depende do cumprimento rigoroso de princípios democráticos, transparência, responsabilidade fiscal e prestação de contas. “A confiança de Augusto Cury não constitui um cheque em branco”, afirma o documento.
Compromissos públicos e reforma constitucional
Para garantir o apoio, Flávio Bolsonaro assumiu compromissos específicos detalhados no termo:
– Fim da reeleição: Promessa de propor uma reforma constitucional para eliminar a possibilidade de reeleição presidencial, medida vista por Cury como essencial para combater o personalismo e o uso da máquina pública.
– Educação: Expansão do ensino em tempo integral com inclusão de disciplinas como oratória, gestão financeira e empreendedorismo, além da valorização salarial e formação continuada para professores.
– Saúde: Criação de uma rede de telemedicina integrada ao SUS, utilizando inteligência artificial para reduzir as longas filas de espera por especialistas.
– Proteção às mulheres: Implementação de tecnologias de monitoramento, fortalecimento de delegacias especializadas e criação de um aplicativo com botão de pânico conectado às forças de segurança.
– Economia: Apoio ao cooperativismo, facilitação de crédito para microempresas via BNDES e meta de dobrar a produção nacional de alimentos em dez anos.
Cury classificou a atitude de Flávio em procurá-lo e ouvir suas demandas como uma “demonstração de humildade e inteligência política”. O escritor deixou claro, porém, que não integrará o futuro governo e que sua independência de pensamento permanece inegociável.
Isolamento de Lula se amplia
Com a adesão de Cury, Flávio Bolsonaro consolida uma ampla frente de apoio que já inclui partidos como União Brasil, Republicanos, Progressistas, Novo, Podemos e 17 diretórios do MDB. Além disso, o candidato do PL conta com o respaldo informal de líderes derrotados no primeiro turno, como Ronaldo Caiado (PSD).
Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição com 45,14% dos votos válidos, vê seu campo de alianças encolher. A estratégia de Flávio de absorver candidaturas do centro e da direita moderada, oferecendo compromissos programáticos claros, parece estar surtindo efeito na reta final da campanha, isolando o petista antes do duelo decisivo marcado para 25 de outubro.
