• 19/06/2025
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Abin Paralela: Relatório Revela Espionagem Ilegal Contra João Campos e Outros Opositores no Governo Bolsonaro

Abin Paralela: Relatório Revela Espionagem Ilegal Contra João Campos e Outros Opositores no Governo Bolsonaro

O relatório final da Polícia Federal (PF), divulgado recentemente, expôs o funcionamento de um esquema clandestino de espionagem ilegal operado por uma “Abin Paralela” durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Entre os alvos do monitoramento estavam figuras como o atual prefeito do Recife, João Campos (PSB), além de servidores públicos, jornalistas, parlamentares e membros do Poder Judiciário.

De acordo com o documento de 1.125 páginas, cujo sigilo foi levantado na quarta-feira, 18 de junho, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, a estrutura paralela dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi utilizada para intimidar e coletar informações comprometedoras contra adversários políticos do governo. O pico de atividades do sistema ocorreu em outubro de 2020, período coincidente com as eleições municipais.

Na ocasião, João Campos, então deputado federal, disputava a prefeitura do Recife contra sua prima Marília Arraes (PT), ficando com a vitória no pleito. A PF classificou os alvos do esquema em oito categorias distintas, incluindo servidores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), integrantes do Ministério Público, membros do Legislativo e do Judiciário, além de indivíduos ligados ao núcleo político governamental.

Espionagem Contra Ministros do STF e Figuras-Chave

Os ministros do STF, Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, também foram vítimas da vigilância abusiva. Um caso emblemático envolveu o advogado Rafael Fontelles, sobrinho de Barroso, que foi monitorado com o objetivo de obter informações que pudessem vinculá-lo a uma ação bilionária envolvendo o banco Itaú, onde atuava profissionalmente. Curiosamente, o processo tramitava sob a relatoria do ministro Luiz Fux, não de Barroso.

Outro episódio revelado pela PF foi o acompanhamento físico de Rodrigo Maia (DEM, à época), então presidente da Câmara dos Deputados, e Joice Hasselmann (PSDB, à época), durante um jantar. A operação foi autorizada por Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin, e executada por agentes utilizando uma viatura da Polícia Federal.

Alvos Políticos e Estratégias de Ataque

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e sua esposa, Analine Castro, também foram investigados sob ordens expressas de levantar “todos os podres” sobre o casal. Já senadores da CPI da Pandemia, como Renan Calheiros (MDB), Omar Aziz (PSD) e Randolfe Rodrigues (REDE, à época), sofreram monitoramento direto. Além disso, pedidos específicos foram feitos para investigar assessores, mapear ligações com a Transpetro e orquestrar ataques coordenados nas redes sociais.

Outros parlamentares monitorados incluem Gustavo Gayer (PL), Kim Kataguiri (DEM, à época), Evair Vieira de Melo (PP), o senador Alessandro Vieira (MDB) e o advogado Walfrido Warde. O esquema demonstra uma ampla rede de vigilância política e institucional, com objetivos claros de desestabilização e obtenção de vantagens políticas.

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