- 02/09/2025
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Bolsonaro Recebe Apoio de Filhos Durante Julgamento no STF por Trama Golpista
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acompanhou o primeiro dia do julgamento da trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF) ao lado dos filhos, Carlos Bolsonaro, vereador no Rio de Janeiro, e Jair Renan Bolsonaro, vereador em Balneário Camboriú (SC). A presença dos filhos foi confirmada por aliados próximos. Segundo advogados do ex-presidente, ele não compareceu à sessão por motivos de saúde, incluindo crises recorrentes de soluços que podem levar a vômitos. Além disso, interlocutores afirmam que Bolsonaro enfrenta um momento delicado emocionalmente.
A atmosfera entre os apoiadores do ex-presidente é marcada pelo desânimo e pela preocupação com o desenrolar do julgamento. Em frente ao condomínio onde cumpre prisão domiciliar no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro, apoiadores e críticos de Bolsonaro protagonizaram discussões acaloradas e trocas de empurrões. Enquanto isso, bolsonaristas organizaram uma corrente de oração em apoio ao ex-presidente, prática que deve se repetir durante todos os dias do julgamento.
Pouco antes das 12h, Bolsonaro apareceu na garagem do condomínio onde está preso domiciliarmente por ordem do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no STF. O ex-presidente surgiu justamente quando o procurador-geral da República, Paulo Gonet, encerrava sua acusação contra ele e outros sete réus envolvidos no caso.
De acordo com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), Bolsonaro estava sereno na véspera do início do julgamento, mas apresentava crises intensas de soluços. “Ele está soluçando muito, acho que não é viável [a ida dele ao julgamento]. Mas vamos ver, ele está fazendo o que os advogados estão mandando”, declarou a parlamentar.
Manifestações e Tensão nas Ruas

Enquanto aliados demonstravam solidariedade em tom de derrota nas redes sociais, pedindo força e resiliência, o clima de polarização foi evidente nas ruas. Na tentativa de manter algum grau de normalidade, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve na sede do PL em Brasília, onde ocupa um gabinete ligado ao PL Mulher, que preside. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado, realizou uma audiência pública no mesmo horário do julgamento com Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trabalhou diretamente com Alexandre de Moraes.
Aliados afirmam que Tagliaferro possui documentos e mensagens preservadas da época em que atuou como auxiliar de Moraes na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, durante o período eleitoral de 2022. Esses registros poderiam ser utilizados para subsidiar a defesa de Bolsonaro no processo.
Do lado de fora do condomínio, a tensão aumentou quando grupos antagônicos se confrontaram. Manifestantes contrários a Bolsonaro levaram um boneco inflável representando o ex-presidente vestido como prisioneiro, com tornozeleira eletrônica e uma placa com o número 171, referência ao artigo do Código Penal que define o crime de estelionato. Uma faixa com os dizeres “Bolsonaro na cadeia” também foi exposta.
Os apoiadores do ex-presidente, por outro lado, concentraram-se do outro lado da rua, carregando bandeiras do Brasil e realizando orações. As discussões chegaram a escalonar para empurrões, mas o incidente foi breve e terminou com a retirada do grupo de esquerda.
No Rio de Janeiro, manifestantes também protestaram em frente ao condomínio Vivendas da Barra, onde Bolsonaro residia anteriormente. Movimentos como o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) organizaram atos em outras cidades, incluindo Pernambuco, Paraná, Santa Catarina e São Paulo. Na capital paulista, o grupo se concentrou em frente à sede do PL, partido do ex-presidente.
O julgamento marca um momento crucial para o futuro político e jurídico de Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde o início de agosto após investigadores identificarem supostos riscos de fuga. A decisão final do STF terá impacto direto sobre o legado do ex-presidente e suas possibilidades de retornar à política nacional.
