- 23/01/2026
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Brasil registra aumento de 11,5% no número de pessoas em situação de rua em um ano
O Brasil enfrenta um agravamento alarmante na crise da população em situação de rua. Dados divulgados nesta quarta-feira (13) pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG) revelam que, em dezembro de 2024, eram 327.925 pessoas vivendo nas ruas. Já no final de 2025, esse número subiu para 365.822 — um aumento de 11,5% em apenas 12 meses.
O levantamento se baseia nos registros do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), principal instrumento do governo federal para identificar famílias em vulnerabilidade social e direcionar repasses a municípios. Embora o número tenha caído entre 2020 e 2021 — período marcado pelas medidas emergenciais da pandemia de covid-19 —, desde 2022 a tendência é de alta contínua.
A Região Sudeste concentra a maior parte dessa população: 222.311 pessoas, ou 61% do total nacional. O estado de São Paulo lidera isoladamente, com 150.958 indivíduos em situação de rua, seguido pelo Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). Já o Amapá registra o menor contingente: apenas 292 pessoas.
Segundo os pesquisadores do OBPopRua, quatro fatores explicam o crescimento recente: (1) a consolidação do CadÚnico como principal base de dados sobre essa população; (2) a ausência ou insuficiência de políticas públicas estruturantes — especialmente nas áreas de moradia, trabalho e educação; (3) a precarização das condições de vida após a pandemia; e (4) as emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina.
Robson César Correia de Mendonça, integrante do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, destacou à Agência Brasil que, apesar dos avanços no combate à fome extrema, muitos ainda não conseguem suprir necessidades básicas. “Tem gente que tem que escolher entre pagar aluguel, comprar remédio ou se alimentar”, afirmou. Ele próprio relatou dificuldades para arcar com tratamentos médicos: “Só uma máscara que uso custa R$ 6 mil. Como alguém sobrevive com um ou dois salários mínimos?”
Mendonça também apontou o avanço tecnológico como obstáculo ao emprego, já que muitos não têm acesso a capacitação profissional. Para ele, a solução passa por políticas sérias de inclusão, combate ao preconceito e sensibilização do setor privado. “Essas pessoas não são de outro planeta. São cidadãos desempregados que precisam de uma chance real de voltar ao mercado de trabalho.”
Diante do cenário, a Secretaria de Desenvolvimento Social de São Paulo informou que tem atuado em parceria com os municípios. Desde o início da atual gestão, foram repassados R$ 633 milhões às prefeituras, sendo R$ 145,6 milhões destinados exclusivamente a ações para a população em situação de rua. Entre as iniciativas estão a criação de 24 novas unidades do programa Bom Prato e a expansão do Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial, voltado a pessoas afetadas pelo uso de substâncias psicoativas.
