• 23/02/2026
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Justiça condena influenciadores Hytalo Santos e Euro por exploração sexual de adolescentes

Justiça condena influenciadores Hytalo Santos e Euro por exploração sexual de adolescentes

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) condenou, na última quinta-feira (20), os influenciadores digitais Hytalo Santos e Israel Vicente, conhecido como Euro, pela exploração de conteúdo pornográfico envolvendo adolescentes. De acordo com a sentença, os jovens eram instrumentalizados como “moeda de troca” para gerar audiência e lucros com vídeos produzidos e disseminados pelo casal em plataformas digitais.

A decisão judicial considerou como prova testemunhal o relato do criador de conteúdo Felipe Bressanim, o Felca, que denunciou publicamente a dupla. Em seu depoimento, Felca afirmou que os réus promoviam a “adultização” de adolescentes, expondo-os em vídeos com conotação erótica e pornográfica com o claro intuito de monetização. Segundo ele, quanto mais “diferente” ou apelativo fosse o conteúdo, maior o engajamento e, consequentemente, o retorno financeiro.

O magistrado responsável pelo caso registrou na sentença que “a prova digital constante nos autos demonstra de maneira cristalina que os réus utilizavam os adolescentes como ‘moeda de troca’, visando audiência e lucro”, corroborando integralmente o testemunho de Felca. O processo caracteriza, assim, um quadro de exploração sistemática da imagem e da vulnerabilidade de menores.

Penas e reparações

Hytalo Santos foi condenado a 11 anos e 4 meses de reclusão, enquanto Israel Vicente (Euro) recebeu pena de 8 anos e 10 meses. Ambas as penas foram aplicadas em regime inicial fechado. Além da privação de liberdade, o casal deverá pagar multa correspondente a 360 dias-multa, calculados com base em 1/30 do salário-mínimo vigente, ajustados à capacidade econômica dos condenados.

A sentença também fixou indenização por danos morais no valor de R$ 500 mil. O entendimento judicial é de que as plataformas digitais que hospedaram os conteúdos também devem arcar com responsabilidade civil, uma vez que lucram com a divulgação de materiais que violam direitos fundamentais de menores.

A prisão preventiva dos dois influenciadores foi mantida, e o processo segue sob segredo de Justiça para preservar a identidade das vítimas.

Reações da defesa e da família

Por meio de nota oficial, a defesa de Hytalo Santos e Israel Vicente criticou a decisão, classificando-a como “frágil juridicamente” e marcada por “traços inequívocos de preconceito”. Os advogados afirmam que, ao longo da instrução processual, apresentaram provas e depoimentos — inclusive de testemunhas arroladas pela acusação e das supostas vítimas — que afastariam a tese delitiva. A assessoria jurídica reiterou que a condenação será contestada nos recursos cabíveis.

Ainda conforme a defesa, está agendado para a próxima terça-feira (24) o julgamento de um habeas corpus em favor de Hytalo Santos, conforme noticiado por veículos de imprensa. O trâmite ocorre em segredo de Justiça.

Em manifestação pública nas redes sociais, Kamyla Maria, conhecida como Kamylinha e filha adotiva de Hytalo, declarou que a condenação seria fruto de racismo e homofobia. “Todo mundo sabe que o Brasil é um país injusto, mas só quem vive a dor do preconceito sabe o que é. Fiquei muito abalada quando vi isso, porque sei de toda a dor e sofrimento que uma pessoa negra e gay sofre no Brasil, mas sei que a justiça não fechará os olhos para isso”, escreveu a influenciadora em seu perfil no Instagram.

Perfil do influenciador

Hytalo José Santos Silva, natural da Paraíba, construiu sua notoriedade digital ao reunir jovens — muitos deles menores de idade — em residências que ele chama de “mansões”, compartilhando a rotina do grupo em vídeos. Os participantes são frequentemente referidos por ele como “crias”, “filhas” ou “genros”, termos que, segundo a denúncia, mascaravam relações de exploração.

Com mais de 20 milhões de seguidores somados em todas as redes sociais, Hytalo tinha, apenas em seu canal no YouTube, mais de 7 milhões de inscritos. Sua prisão ocorreu em agosto de 2025, na cidade de Carapicuíba, região metropolitana de São Paulo, após investigações desencadeadas por denúncias de exploração de menores.

O caso reacende o debate sobre a responsabilidade de criadores de conteúdo, a regulação das plataformas digitais e a proteção integral de adolescentes no ambiente virtual — temas que seguem em pauta nos tribunais e na sociedade brasileira.

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