- 26/01/2026
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Master desembolsou R$ 5,25 milhões ao escritório de Lewandowski após ele assumir Ministério da Justiça
O Banco Master manteve, por quase dois anos após a posse de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), um contrato mensal de R$ 250 mil com o escritório de advocacia fundado pelo ex-ministro. Os pagamentos, iniciados em agosto de 2023, seguiram até setembro de 2025 — 21 meses depois de Lewandowski assumir o cargo no governo Lula, em janeiro de 2024. No total, o acordo rendeu R$ 6,5 milhões ao escritório, sendo R$ 5,25 milhões quitados já com o ex-ministro à frente da pasta.
Segundo apuração, a contratação atendeu a um pedido do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que também indicou o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para atuar junto ao banco. O objeto do contrato era a “prestação de serviços de consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”. Contudo, durante todo o período, Lewandowski compareceu a apenas duas reuniões do Comitê Estratégico do Master.
Ao ingressar no MJSP, Lewandowski formalizou sua saída da sociedade em 17 de janeiro de 2024, transferindo a gestão do escritório aos filhos Enrique e Yara de Abreu Lewandowski. Apesar da mudança na titularidade, os repasses mensais continuaram sem interrupção. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que Enrique, que passou a representar o escritório nas tratativas com o banco, não teria realizado entregas relevantes ao longo dos 21 meses seguintes.
Por meio de sua assessoria, Lewandowski esclareceu que, após deixar o Supremo Tribunal Federal em abril de 2023, retomou atividades na advocacia e prestou consultoria a diversos clientes, incluindo o Master. “Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”, afirmou a nota oficial.
O caso ganha contornos ainda mais delicados diante das recentes críticas públicas de Lula ao Banco Master. Na semana passada, em evento em Maceió (AL), o presidente acusou a instituição de protagonizar “um golpe de mais de R$ 40 bilhões” e disparou: “Falta vergonha na cara para quem defende Daniel Vorcaro”. Historicamente próximo ao PT — Lewandowski foi indicado por Lula ao STF em 2006 —, o banco agora figura no centro de uma polêmica que mistura relações políticas, transparência e responsabilidade fiscal.
