• 28/07/2025
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Montadoras Alertam Lula Sobre Impactos de Medida Pró-China: Demissões e Investimentos em Risco

Montadoras Alertam Lula Sobre Impactos de Medida Pró-China: Demissões e Investimentos em Risco

As quatro principais montadoras atuantes no Brasil — Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis — enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 15 de junho de 2025, expressando preocupação com os impactos de uma medida governamental que incentiva a produção de carros com peças 100% importadas (sistema SKD – Semi Knocked Down). Até o momento, não há resposta oficial do Palácio do Planalto.

Os executivos das empresas, liderados por Ciro Possobom (Volkswagen), Evandro Maggio (Toyota), Emanuele Cappellano (Stellantis) e Santiago Chamorro (General Motors), argumentam que a medida prejudicará diretamente a indústria automotiva nacional, levando a cortes significativos nos investimentos e demissões em massa.

Investimentos em Risco

Recentemente, as montadoras brasileiras haviam anunciado um plano de investimentos de aproximadamente R$ 180 bilhões no Brasil nos próximos cinco anos. Desse total, R$ 130 bilhões seriam destinados ao desenvolvimento e produção de veículos, enquanto R$ 50 bilhões seriam aplicados no parque de autopeças. No entanto, caso a medida seja implementada, esses valores podem cair para menos de R$ 60 bilhões.

Além disso, as empresas estimam que deixarão de contratar 10.000 trabalhadores e que cerca de 5.000 empregados atuais poderão ser demitidos. O impacto negativo não se limita às montadoras, pois cada trabalhador demitido nessas empresas pode levar à perda de até 10 empregos na rede de fornecedores, ampliando o efeito sobre toda a cadeia produtiva automotiva. Isso resultaria em um corte total de até 50.000 postos de trabalho.

Críticas à Política Industrial

Os executivos das montadoras destacam que a política industrial brasileira deve priorizar a produção local, evitando privilégios para a importação de veículos desmontados ou produzidos no exterior com subsídios. Segundo trecho da carta, “essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra”.

Sem Resposta do Governo

Até o momento, o presidente Lula não respondeu à carta conjunta das montadoras. A correspondência também foi enviada ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e ao vice-presidente da República e ministro da Indústria e do Comércio, Geraldo Alckmin (PSB).

Rui Costa, político da Bahia e ex-governador do estado, tem forte ligação com o grande investimento da BYD, empresa chinesa que pode beneficiar-se da medida. A BYD já solicitou ao governo a redução de impostos de importação de kits SKD e CKD (Completely Knocked Down), de 5% para carros elétricos e 10% para híbridos, contra as taxas atuais de 18% e 20%, respectivamente.

Reunião do GeceX-Camex

O GeceX-Camex (Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior), colegiado formado por integrantes de 11 ministérios do governo Lula, realizará uma reunião extraordinária em 30 de julho para deliberar sobre medidas que beneficiem a indústria chinesa de automóveis no Brasil. As informações foram publicadas pelo jornal *O Estado de S. Paulo* no domingo (27.jul.).

Repúdio das Entidades Setoriais

Nesta segunda-feira (28.jul.2025), a Abipeças (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) e o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) enviaram carta ao governo manifestando repúdio à possível redução das alíquotas de importação sobre veículos SKD e CKD. As entidades afirmam que a medida criaria uma “concorrência inusitada” com os veículos produzidos no Brasil e configuraria uma “renúncia fiscal injustificada”, além de provocar efeitos em cadeia.

Segundo trecho da carta, “a combinação nefasta desses fatores irá, inquestionavelmente, provocar queda de produção e perda de empregos para a indústria brasileira de autopeças, além de inevitável revisão dos ‘investimentos anunciados por montadoras e por nosso setor'”.

A tensão entre as montadoras nacionais e o governo federal ganha força à medida que a decisão sobre a medida pró-China se aproxima. Enquanto as empresas buscam garantias de que a produção local será preservada, o governo enfrenta pressões de diferentes lados, incluindo interesses internacionais e setoriais. A decisão final do GeceX-Camex será crucial para definir o futuro da indústria automotiva no Brasil.

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