- 23/02/2026
- Sem Comentário
- 4 Minutos de Leitura
Náutico é favorito, mas não canta vitória: Timbu encara Sport na final do Pernambucano com vantagem técnica, mas sem acomodação
No xadrez do futebol pernambucano, as peças parecem favorecer o Náutico. Com campanha irretocável, ataque letal e defesa sólida, o Timbu desembarca na final do Campeonato Pernambucano como o candidato natural ao título. Mas, nos corredores do clube, o discurso é outro: cautela, humildade e foco total no Sport, o adversário que tenta reencontrar seu melhor futebol.
Os números não mentem. Na primeira fase, foram seis vitórias em sete partidas, com uma única derrota — contra o Retrô —, quando a liderança já estava garantida e o time poupou titulares. São 22 gols marcados, a média mais alta da competição, com destaque para Paulo Sérgio, artilheiro do torneio com sete tentos. O atacante ainda protagonizou um verdadeiro massacre contra o Santa Cruz nas semifinais: três gols no confronto decisivo, sendo um na ida, na Arena de Pernambuco, e dois na volta, nos Aflitos. Poderia ter feito mais, não fossem duas penalidades desperdiçadas.
Se no ataque o Náutico assusta, na defesa ele tranquiliza. Apenas quatro gols sofridos em nove jogos — e nenhum em clássicos. Foram três vitórias sobre o Santa Cruz (4 a 0, 1 a 0 e 2 a 0) e um triunfo ante o próprio Sport na fase inicial, quando o Leão escalou uma formação sub-20. Na ocasião, o Timbu não teve piedade e aplicou uma goleada que ainda ecoa nos bastidores.
Enquanto o Náutico atropelou os adversários, o Sport teve de suar a camisa. Na outra semifinal, o Leão chegou a sofrer a virada do Retrô dentro da Ilha do Retiro, em um susto que mobilizou a torcida rubro-negra. A instabilidade do rival contrasta com a soberania alvirrubra, que eliminou o Santa Cruz com autoridade e sem sustos.
“O Náutico joga em outro patamar. Enquanto o Santa parecia subir uma ladeira para criar uma jogada, o Timbu flui em terreno plano”, analisou o comentarista Cabral Neto, da TV Globo. “Essa naturalidade faz dele, até aqui, o time de melhor futebol no Pernambucano.”
Apesar dos argumentos técnicos, o técnico Guilherme dos Anjos faz questão de frear o entusiasmo. “Favoritismo é coisa de fora. Dentro de campo, a decisão começa do zero”, resume. E ele tem razão: futebol é imprevisível, e o Náutico ainda não é uma máquina perfeita. Há espaço para evolução, especialmente com a chegada de um novo desafio: enfrentar o Sport comandado por Roger Silva. Na primeira fase, o adversário foi dirigido por Alexandre Silva, à frente do time sub-20. Agora, o cenário é outro.
Por mais que os indicadores apontem para o lado alvirrubro, a taça só será levantada com suor, concentração e respeito ao adversário. O Náutico sabe disso. E, mesmo com a vantagem estatística, entra em campo consciente de que, no futebol, nem sempre vence o melhor — mas, quase sempre, vence quem quer mais.
