• 22/02/2026
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Patente internacional de composto para lesão medular é perdida após cortes na UFRJ, alerta pesquisadora

Patente internacional de composto para lesão medular é perdida após cortes na UFRJ, alerta pesquisadora

A pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio revelou que perdeu a patente internacional da polilaminina — composto em desenvolvimento para tratamento de lesões na medula espinhal — devido a cortes orçamentários na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A informação foi dada em entrevista ao programa “Conversas com Hildgard Angel”, da TV 247, veiculada em 24 de janeiro.

“Fizemos a patente nacional, depois a internacional, tudo dentro do prazo, certinho”, relatou Tatiana. “Mas cortaram recursos da UFRJ, especialmente entre 2015 e 2016, e não havia mais dinheiro para pagar as taxas. Perdemos tudo no âmbito internacional. Fiquei apenas com a nacional, que sustentei do meu próprio bolso por um ano para não perder”, desabafou.

A especialista enfatizou que, uma vez extinta por inadimplência, a patente não pode ser recuperada nem reapresentada para o mesmo composto. “Esses cortes têm consequências reais e irreversíveis”, alertou.

No Brasil, o processo de patenteamento teve início em 2007, quando a equipe de pesquisa identificou o potencial terapêutico da substância. Na época, porém, o composto ainda estava em estágio inicial, distante de testes em humanos. A concessão oficial só ocorreu em 2025 — 18 anos depois. Como a vigência da patente é de 20 anos a contar do depósito, ela expirará em 2027.

O que é a polilaminina?

Desenvolvida ao longo de 27 anos, a polilaminina é derivada de uma proteína isolada de placentas, a laminina. Sua principal função é promover a regeneração dos axônios — estruturas neuronais danificadas em casos de lesão medular, que comprometem a comunicação entre cérebro e músculos.

Em estudos preliminares, o composto foi testado em cães e em um grupo de oito voluntários humanos tratados entre 2018 e 2021, na fase aguda (até 72 horas após a lesão). A aplicação foi realizada diretamente na medula espinhal durante procedimentos cirúrgicos. Os resultados variaram: alguns pacientes recuperaram totalmente os movimentos; outros apresentaram melhora parcial.

Atualmente, um estudo clínico em andamento — autorizado pela Anvisa — utiliza uma formulação injetável de laminina (100 μg/mL), que deve ser diluída antes do uso para gerar a polilaminina. Por meio de um processo chamado polimerização, moléculas menores se unem em uma estrutura maior, potencializando a eficácia do composto. A administração será única, via intramedular, aplicada diretamente na região lesionada.

A trajetória da polilaminina ilustra tanto o potencial da ciência brasileira quanto os desafios impostos pela instabilidade de investimentos em pesquisa. Enquanto a comunidade científica aguarda os próximos capítulos desse estudo, o caso reacende o debate sobre o impacto dos cortes orçamentários na soberania tecnológica e na saúde pública do país.

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