- 20/03/2026
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Perícia não aponta sinais clássicos de intoxicação em mulher que morreu após consumir pizza na Paraíba
A análise pericial realizada no corpo de Raíssa Meritein Bezerra e Silva, de 44 anos, não identificou indícios considerados típicos de intoxicação alimentar durante a necropsia. A informação foi divulgada pelo Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), que segue conduzindo exames complementares para determinar as circunstâncias da morte.
De acordo com o diretor do núcleo em Cajazeiras, Luís Rustenis, embora não tenham sido encontrados sinais clássicos nos órgãos durante o exame inicial, foram coletadas amostras biológicas para investigação detalhada. O material será submetido a exames toxicológicos, que devem indicar a presença de possíveis substâncias externas relacionadas ao caso.
O prazo legal para a conclusão dos laudos é de até 10 dias, podendo ser prorrogado conforme a complexidade da análise. Após a finalização, os resultados serão encaminhados às autoridades responsáveis pela investigação.
Investigação policial
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso, que envolve dois possíveis crimes. O primeiro é o de homicídio culposo, em razão da morte da vítima, cuja causa ainda depende dos resultados periciais. Já o segundo refere-se à comercialização de alimento impróprio para consumo, conforme previsto na legislação de defesa do consumidor.
Segundo o delegado responsável, o foco inicial é identificar a origem da possível contaminação alimentar que teria causado sintomas em mais de 100 pessoas após consumo em uma pizzaria da cidade de Pombal, no Sertão paraibano. Amostras dos alimentos, incluindo pizzas, foram recolhidas para análise.
Caso seja comprovada negligência, os responsáveis pelo estabelecimento — incluindo proprietários ou funcionários — poderão responder judicialmente.
Posicionamento do proprietário
O dono do estabelecimento, Marcos Antônio, manifestou pesar pela morte da cliente e pelos transtornos causados às demais pessoas afetadas. Em declaração, afirmou não ter tido qualquer intenção de causar danos e destacou que depende do comércio para sua subsistência.
Ele também informou que está colaborando com os órgãos de fiscalização e investigação, fornecendo amostras e documentos solicitados, além de buscar esclarecimentos sobre o ocorrido.
O caso
Raíssa Bezerra passou mal após consumir uma pizza de carne de sol no domingo (15), quando esteve no local acompanhada do namorado. Ambos apresentaram sintomas e buscaram atendimento médico inicialmente, sendo liberados em seguida.
No entanto, na manhã do dia seguinte, ela retornou ao hospital com agravamento do quadro clínico, sendo internada em estado grave. Segundo a unidade de saúde, a paciente apresentou rápida evolução para um quadro infeccioso severo, sendo encaminhada à UTI, onde morreu na terça-feira (17).
Descrita por familiares como uma pessoa alegre e acolhedora, Raíssa era engenheira agrônoma e servidora pública. O sepultamento ocorreu na quarta-feira (18), em Pombal.
As investigações seguem em andamento, enquanto autoridades aguardam os resultados dos exames para esclarecer definitivamente o caso.
