- 06/10/2025
- Sem Comentário
- 4 Minutos de Leitura
Teste de R$ 10 Detecta Adulteração em Bebidas Alcoólicas por Metanol
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram um método simples, barato e eficaz para identificar adulterações em bebidas alcoólicas destiladas. O teste, que custa entre R$ 10 e R$ 15, foi criado em 2023 no Instituto de Química (IQ) da universidade, localizado em Araraquara, interior de São Paulo, e já foi patenteado. Apesar de sua relevância, não houve interesse imediato para produção comercial.
O Brasil enfrenta atualmente uma crise de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas. De acordo com o Ministério da Saúde, até o início de novembro deste ano, foram registradas 195 notificações de intoxicação após a ingestão de álcool. Destas, 14 casos foram confirmados e 181 permanecem sob investigação. A maioria dos registros ocorreu no estado de São Paulo, com 162 notificações (14 confirmadas e 148 em análise). Entre os casos, há 13 óbitos notificados: um confirmado em São Paulo e outros 12 sob investigação em diferentes estados.
O novo teste se destaca por ser mais acessível, rápido e eficiente que as metodologias tradicionais. Segundo a Agência Unesp de Inovação, ele não exige mão de obra especializada nem laboratórios equipados, tornando-o ideal para uso em bares, eventos e locais de distribuição de bebidas. O processo é baseado em uma técnica colorimétrica que fornece resultados visuais claros e precisos em apenas 15 minutos para bebidas alcoólicas e 25 minutos para combustíveis.
Como funciona o teste
O método consiste na adição de um sal à amostra de bebida ou combustível, transformando o metanol em formol. Em seguida, um ácido é aplicado, gerando uma mudança de cor na solução que indica a presença e o teor de metanol. As cores variam conforme a concentração do contaminante:
– Verde: ausência significativa de metanol.
– Verde amarronzado: presença de 0,1% a 0,4% de metanol.
– Marrom: presença de 0,5% a 0,9% de metanol.
– Roxa: presença de 1% a 20% de metanol.
– Azul marinho: concentração de 50% a 100% de metanol.
A técnica foi testada em amostras de gasolina, etanol, vodca, cachaça e uísque, apresentando 100% de precisão. Em comparação, métodos tradicionais como a cromatografia gasosa demandam equipamentos sofisticados e custos médios de R$ 500, além de horas para processamento.
Impacto na saúde pública
O método atende aos padrões estabelecidos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e pelo Ministério da Agricultura (Mapa), garantindo detecção precisa de metanol em níveis acima dos limites permitidos. Larissa Alves de Mello Modesto, mestre em química e líder da pesquisa, explicou que o teste segue normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pode ser usado por estabelecimentos comerciais para garantir a segurança dos produtos vendidos.
“Donos de bares, resorts ou organizadores de eventos que compram grandes quantidades de bebidas destiladas têm total interesse em realizar esse teste no momento do recebimento da mercadoria. É uma maneira de proteger tanto os consumidores quanto o próprio negócio”, afirmou Larissa.
Patente e reconhecimento
A invenção foi patenteada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) com a denominação “Método colorimétrico quantitativo e kit portátil para detecção do teor de metanol em etanol, gasolina, bebidas alcoólicas destiladas e vinagre” em 20 de junho de 2023. Seu potencial impacto na prevenção de intoxicações por metanol reforça a importância de investimentos em tecnologias acessíveis para a saúde pública.
