- 19/03/2026
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Tragédia no Ignêz Andreazza: irmãos morrem carbonizados ao tentar escapar por janela gradeada
Uma tragédia abalou moradores do Conjunto Ignêz Andreazza, no bairro de Areias, Zona Oeste do Recife, na madrugada desta quinta-feira (19). Dois irmãos, de 9 e 11 anos, morreram após ficarem presos na grade de uma janela enquanto tentavam fugir das chamas que consumiram o apartamento da família, localizado no Bloco 342, Módulo 1 do residencial.
De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, as crianças dormiam no mesmo quarto quando o incêndio teve início, por volta das 3h30. Ao perceberem o fogo, tentaram escapar pela janela, mas acabaram ficando presas na grade de proteção do cômodo, onde foram encontradas sem vida. Uma criança de 5 anos, que também estava no imóvel, não se feriu e foi acolhida por vizinhos.
Os pais e o avô dos menores sofreram ferimentos e foram socorridos para o Hospital da Restauração (HR), no Derby, região central do Recife. Segundo a unidade de saúde, a mãe e o idoso permanecem internados em estado estável, enquanto o pai recebeu alta após atendimento médico. Todos os adultos residiam no apartamento atingido.
Acúmulo de materiais dificulta investigação
O síndico do residencial, Hélio Ribeiro, relatou que o morador era técnico em eletrônica e acumulava diversos equipamentos e eletrodomésticos antigos dentro do imóvel. A informação foi corroborada pelo perito André Amaral, que classificou o local como “totalmente irregular” e com “risco iminente de incêndio”.
“O local é cheio de entulho, acumulado. A situação que estava, eu não sei como não aconteceu antes. Se não fosse a equipe do Corpo de Bombeiros ali, o prédio viria abaixo”, afirmou o perito.
O tenente-coronel Paulo Roberto, dos Bombeiros, explicou que as chamas foram contidas a tempo de evitar que se alastrassem para a sala, o que poderia ter agravado ainda mais a tragédia. Segundo ele, as crianças foram encontradas no quarto, “sem condições de sair”.
Estrutura comprometida e interdicação
A perícia identificou rachaduras graves no apartamento do terceiro andar, situado acima do imóvel onde ocorreu o incêndio. Por medida de segurança, a Defesa Civil interditou ambos os imóveis. Equipes da Polícia Militar e do Instituto de Criminalística também estiveram no local para acompanhar os procedimentos.
Até o momento, a causa do incêndio não foi oficialmente determinada. No entanto, indícios apontam que o foco inicial das chamas tenha surgido próximo à porta do quarto onde as vítimas fatais estavam. A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Afogados, assumiu as investigações para elucidar as circunstâncias do caso.
O Ignêz Andreazza, construído em 1983, é considerado o maior conjunto residencial da América Latina. A tragédia comoveu a comunidade local e reacendeu discussões sobre segurança predial e condições de habitabilidade em conjuntos habitacionais.
