- 18/06/2025
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Vereador do Recife Joga Constituição no Chão e Acusa Ministro Moraes de “Ditadura” em Discurso Polêmico
O vereador Gilson Machado Filho (PL), da Câmara Municipal do Recife, protagonizou um momento controverso ao subir à tribuna da Casa Legislativa na segunda-feira (16). Durante a 35ª reunião ordinária, o parlamentar jogou um exemplar da Constituição Brasileira no chão e acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de comportamento ditatorial. A atitude foi parte de um discurso inflamado contra a prisão de seu pai, o ex-ministro do Turismo Gilson Machado, detido na sexta-feira (13) sob suspeita de tentar obter passaporte português para Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ex-ministro foi preso preventivamente por decisão de Moraes, mas foi solto no mesmo dia após decisão judicial. De acordo com sua defesa, ele nega envolvimento no caso e afirma que buscava um passaporte apenas para seu próprio pai, não para Mauro Cid. No entanto, as medidas cautelares impostas pela Justiça incluem proibição de deixar o país ou a comarca onde reside, além de restrições relacionadas ao uso de passaportes e obrigatoriedade de comparecimento quinzenal à Justiça.
Durante o discurso, Gilson Filho criticou duramente as decisões do ministro, argumentando que elas representam uma violação aos princípios constitucionais. “A realidade, vereadores, é que a gente tem esse texto aqui [mostrando a Constituição], mas eu poderia jogá-lo fora. É isso que o ministro Alexandre de Moraes faz no nosso país: pega a Constituição Brasileira e rasga. Ele se acha o ditador do Brasil”, afirmou o vereador, visivelmente emocionado.
Ele também exibiu uma foto do pai ao lado do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacando sua trajetória como pessoa íntegra e reconhecida internacionalmente. “Mexeram com o cara errado. Esse homem é conhecido pelo seu trabalho, não só no Brasil, mas mundo afora. A narrativa de Mauro Cid caiu, ele mentiu no julgamento, e agora Moraes busca todos os aliados de Bolsonaro para tentar incriminar”, declarou.
Além das críticas ao STF, o vereador mencionou os impactos práticos das medidas cautelares sobre a vida profissional de seu pai. “Meu pai mora em Jaboatão dos Guararapes e não pode sair do Recife sequer para realizar shows da banda dele, sendo empresário do setor de forró. Ele está impedido de falar com o presidente Bolsonaro e teve seu passaporte cancelado sem ter cometido qualquer crime. Para Moraes, primeiro prende-se, depois investiga-se”, protestou.
Ao concluir seu pronunciamento, Gilson Filho recebeu aplausos calorosos dos colegas parlamentares. O presidente da Câmara Municipal, vereador Romerinho Jatobá (PSB), expressou solidariedade ao vereador, enfatizando que apoio transcende diferenças partidárias. “Quero registrar que, independentemente das divergências ideológicas, conte com minha solidariedade e meu apoio. Isso já lhe disse pessoalmente, mas que fique público: estamos juntos nesse momento”, declarou.
