- 19/08/2025
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Mães Denunciam Chacina no Conde Após Prisão de Policiais: ‘Fuzilaram Meu Filho’
A prisão temporária de policiais envolvidos na morte de cinco jovens no município do Conde, na Região Metropolitana de João Pessoa, repercutiu fortemente entre familiares das vítimas. Na segunda-feira (18), mães e parentes se reuniram em frente à Cidade da Polícia com cartazes, fotos e objetos pessoais dos jovens assassinados para protestar e desabafar. Elas afirmaram que o episódio não foi um confronto, como inicialmente relatado pelas autoridades, mas sim uma chacina.
De acordo com os laudos periciais, não houve troca de tiros. Os dois carros onde estavam os jovens foram atingidos por cerca de 90 disparos feitos de fora para dentro dos veículos. A investigação aponta que apenas um tiro foi disparado de dentro de um dos carros, contradizendo a versão inicial de confronto armado.
“Não Foi Troca de Tiros, Foi Execução”
Maria José Oliveira, mãe de Emerson Almeida de Oliveira, de 25 anos, relembrou o momento em que soube da morte do filho. “Disseram pra gente que foi troca de tiros, mas isso é mentira. Não aconteceu isso. Fuzilaram o carro. Muitos tiros no meu filho, e eles apanharam muito”, desabafou. “Meu filho apareceu de cueca, sem nenhum pertence. A única coisa que me resta dele é o chapéu crivado de balas, a sandália e uma pochete.”
As famílias também relataram dificuldades em confiar no processo de investigação. Segundo elas, a perícia não pôde ser realizada no local do crime porque a cena já havia sido alterada pelos próprios agentes envolvidos no caso. Essa interferência teria prejudicado as investigações, gerando ainda mais desconfiança.
Joselí Silva, esposa de Fábio Pereira da Silva Filho, uma das vítimas, contou como a perda impactou sua família. “Está tudo muito difícil. Nosso filho autista dependia do pai para ir às terapias. Agora ele sente muita falta e não consegue mais se locomover para os atendimentos. Ele mudou completamente e também deixou outra criança de 9 anos”, disse.
Para as mães, todos os jovens eram trabalhadores e possuíam planos para o futuro. “Estou feliz com essa notícia de hoje [prisão dos policiais], mas isso não traz meu filho de volta. Que eles paguem pelo que fizeram, porque isso não foi confronto, foi uma chacina. Passa um filme na minha cabeça todos os dias”, declarou uma das mães.
Defesa dos Policiais Rejeita Acusações
O advogado Luiz Eduardo, que representa os policiais presos, afirmou que seus clientes estavam cumprindo mandado de prisão temporária e que acreditam na soltura ao final do prazo legal. Segundo ele, os policiais realizavam um checkpoint – ponto de fiscalização – quando foram surpreendidos pela chegada de dois veículos.
“Ao serem abordados, os ocupantes desses carros abriram fogo contra os policiais, que revidaram. Tudo o que era necessário para colaborar com a investigação foi fornecido. Não entendemos os motivos dessa prisão”, argumentou o defensor.
