• 24/04/2026
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Augusto Cury entra na disputa presidencial: “Não amo o poder, mas não posso me calar”

Augusto Cury entra na disputa presidencial: “Não amo o poder, mas não posso me calar”

O psiquiatra e escritor Augusto Cury, consagrado internacionalmente por obras de desenvolvimento pessoal como “O Vendedor de Sonhos”, acaba de mergulhar em um novo capítulo: a corrida ao Planalto. Recém-filiado ao Avante, o autor oficializou sua pré-candidatura à Presidência da República com uma proposta que busca fugir do roteiro tradicional da política brasileira. Em entrevista, Cury foi enfático ao declarar que não pretende se alinhar a espectros ideológicos rígidos e que sua missão é “elevar a régua do debate”, priorizando propostas em detrimento de ataques.

A decisão, confessa ele, não foi tomada levianamente. Há doze anos, Cury discute com a família a possibilidade de ingressar na vida pública — e encontrou resistência, inclusive emocionada, de pessoas próximas. O que o moveu a dar o passo agora foram inquietações que, segundo ele, “lhe tiram o sono”: a desesperança crescente entre os jovens, os índices alarmantes de feminicídio, os impactos disruptivos da inteligência artificial e os riscos de desabastecimento alimentar em cenários de crise global. “Será que eu não poderia dar uma contribuição para que tenhamos uma pré-campanha inteligente e propositiva?”, questiona.

Cury faz questão de deixar claro que não busca carreira política. “Eu não amo o poder, não preciso do poder”, afirma, reforçando que, se eleito, cumpriria apenas um mandato de quatro anos e se retiraria da vida pública. “Não quero perder minha alma na política. Minha vida simples e meus valores precisam permanecer intactos.” Para ele, é possível realizar transformações significativas em um único quadriênio, desde que haja inteligência coletiva, eficiência e mentes brilhantes a serviço do país.

Propostas: do “Bolsa Família Turbo” à defesa intransigente dos direitos humanos

Entre as ideias que o candidato pretende levar ao debate público, destaca-se o “Bolsa Família Turbo”. Cury elogia o programa social existente, mas propõe um incentivo a mais: em vez de perder o benefício ao conquistar emprego formal ou abrir um microempreendimento, o cidadão seria premiado por gerar uma segunda renda, preparando-se assim para a nova economia. “É fascinante quando a política pública não apenas ampara, mas impulsiona a autonomia”, avalia.

Outro pilar de sua plataforma é a conciliação entre o que chama de “mente capitalista” e “coração social”. “Defendo o melhor do capitalismo: liberdade de negócios, Estado enxuto, eficiência econômica e empreendedorismo. Mas também defendo o melhor do coração social: ajudar quem sofre, quem é excluído, quem é mutilado pelo preconceito ou pela falta de oportunidade”, explica. Para Cury, “uma arma dilacera o corpo, mas o preconceito dilacera a alma” — e por isso os direitos humanos são “muito caros” ao seu projeto.

O autor também adianta que está construindo um conjunto amplo de propostas com a ajuda de voluntários de diversas áreas, sem utilizar recursos do fundo eleitoral. “Têm surgido pessoas de todos os matizes que querem abraçar essa causa, diminuir o radicalismo e pensar muito menos em partidos e ideologias, e muito mais em um projeto de Brasil”, relata. Parte desse trabalho será compilada em um livro aberto à população, para que a sociedade acompanhe e critique as ideias em construção.

Cenário eleitoral e compromisso com o debate

No momento, as pesquisas apontam uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), com terceiros colocados ainda distantes dos dois dígitos. Cury, que não foi incluído nos levantamentos mais recentes, reconhece o desafio, mas mantém a esperança: “Acredito que há espaço e que temos chances de ir para o segundo turno”. Mais do que números, porém, ele aposta no poder transformador do voto consciente. “As pessoas deveriam votar nelas mesmas, no futuro delas. O voto é um ato quase mágico: no Brasil, um bilionário e um excluído da periferia têm o mesmo valor”.

Questionado sobre a escolha do Avante como legenda, Cury explica que conversou com diversas siglas — Republicanos, PSD, Podemos, Novo, DC, PSDB e até agremiações de esquerda —, mas optou pelo partido que se colocou “completamente disponível” para que ele fosse o “maestro” de sua própria campanha. “Todos abriram as portas, mas eu teria que construir tudo do zero. O Avante entendeu o momento e me deu agilidade”, justifica.

Ao final, uma certeza: “Vou até o final”. Não por ambição pessoal, mas pela convicção de que o país precisa de um debate à altura de seus desafios. “Meu objetivo, em primeiro lugar, é debater ideias. Se as pessoas perceberem que o poder do voto é único, elas vão exercer esse direito. E é isso que eu espero contribuir: elevar o nível da conversa, para que o Brasil decida seu futuro com mais clareza e menos ruído.”

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