• 13/10/2025
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María Corina Machado, voz da resistência venezuelana, recebe Nobel da Paz 2025 e dedica prêmio a Trump

María Corina Machado, voz da resistência venezuelana, recebe Nobel da Paz 2025 e dedica prêmio a Trump

A oposicionista venezuelana María Corina Machado foi anunciada como a laureada do Prêmio Nobel da Paz de 2025 na última sexta-feira (10/10). O Comitê Norueguês do Nobel destacou sua “luta incansável pela promoção dos direitos democráticos” e seu compromisso com uma transição pacífica da ditadura para a democracia na Venezuela.

Em comunicado divulgado no X (antigo Twitter), o comitê afirmou que Machado representa “um exemplo extraordinário de coragem na América Latina”. Sua atuação foi descrita como um farol de esperança em meio à crescente opressão política liderada pelo regime de Nicolás Maduro. “É precisamente isso que está no cerne da democracia: nossa vontade comum de defender os princípios do governo popular, mesmo quando discordamos”, afirmou o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes.

Ao reagir ao anúncio, Machado dedicou o prêmio ao povo venezuelano e ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem descreveu como um aliado crucial na luta contra a ditadura. “Este imenso reconhecimento da luta de todos os venezuelanos é um impulso para completar nossa tarefa: alcançar a liberdade”, escreveu ela no X. A líder opositora enfatizou ainda que a solidariedade internacional será fundamental para consolidar a vitória da democracia.

Da clandestinidade ao palco global

Desde agosto de 2024, María Corina Machado vive escondida, temendo por sua vida após denunciar fraudes nas eleições presidenciais da Venezuela realizadas em julho do ano passado. Em uma carta publicada pelo Wall Street Journal, intitulada “Posso provar que Maduro foi derrotado”, ela revelou provas de que Nicolás Maduro não venceu as urnas e acusou o regime de sabotar a participação da oposição.

“A ditadura não esperava que as pessoas fossem como uma onda gigantesca”, escreveu Machado, referindo-se às manifestações populares que surgiram após a divulgação dos resultados oficiais. Segundo ela, a “vitória esmagadora” da oposição foi sufocada pelo governo, forçando boa parte de seus colaboradores a viverem na clandestinidade.

Apesar das adversidades, Machado ressurgiu brevemente em janeiro deste ano durante um protesto, onde foi detida por algumas horas pelas autoridades venezuelanas antes de ser libertada.

Uma trajetória marcada por resistência

María Corina Machado iniciou sua carreira política há mais de duas décadas, liderando a organização não governamental Súmate, voltada para a transparência eleitoral. Seu ativismo chamou atenção internacional em 2004, quando ajudou a coletar mais de quatro milhões de assinaturas para um referendo revogatório contra o então presidente Hugo Chávez.

Ao longo dos anos, suas posições firmes contra o chavismo renderam tanto apoio quanto controvérsias. Um momento emblemático ocorreu em 2012, quando interrompeu um discurso de Chávez na Assembleia Nacional para declarar: “Expropriar é roubar”.

Machado também esteve à frente de movimentos como “A Saída” em 2014, que convocou massivas manifestações contra o regime. Embora esses protestos tenham deixado um saldo trágico de mais de 43 mortos e cerca de 1,9 mil detidos, eles reforçaram sua imagem como uma das principais vozes da resistência venezuelana.

Nos últimos anos, no entanto, sua trajetória foi marcada por perseguição política. Impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2023 sob alegações de envolvimento em casos de corrupção vinculados ao governo interino de Juan Guaidó, Machado viu seu nome ser substituído pelo oposicionista Edmundo González Urrutia. Mesmo assim, continuou sendo uma figura central na articulação da oposição.

Reconhecimento internacional e desafios futuros

O Prêmio Nobel da Paz chega em um momento crítico para a Venezuela, onde a situação humanitária segue deteriorada e as liberdades civis permanecem severamente reprimidas. Para Frydnes, o prêmio pode servir como um catalisador para amplificar a causa de Machado, embora reconheça os riscos envolvidos.

“Esperamos vê-la em Oslo em dezembro, mas sabemos que sua segurança é uma preocupação grave”, disse o presidente do comitê.

Para Machado, o Nobel não apenas celebra sua trajetória, mas também reafirma a importância da união entre os povos da América Latina e aliados internacionais na luta contra regimes autoritários.

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