- 27/10/2025
- Sem Comentário
- 4 Minutos de Leitura
Venezuela Denuncia Plano da CIA para Ataque Falso Contra Navio dos EUA no Caribe
Na segunda-feira (27/10), o governo venezuelano anunciou ter desmantelado uma suposta célula criminosa ligada à Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA). Segundo autoridades de Caracas, o plano envolvia um ataque ao contratorpedeiro USS Gravely, da Marinha norte-americana, atualmente atracado em Trinidad e Tobago. O objetivo seria culpar a Venezuela pelo incidente e criar uma justificativa para uma agressão militar contra o país.
O chanceler Yván Gil detalhou as acusações em seu canal no Telegram, afirmando que o suposto plano de “bandeira falsa” era orquestrado pela CIA. “Informei claramente ao governo de Trinidad e Tobago sobre essa operação: um navio militar estadunidense parado na ilha seria atacado, e a culpa seria atribuída à Venezuela, para justificar uma agressão contra nosso país”, declarou Gil. Ele acrescentou que o grupo financiado pela agência de inteligência norte-americana já estava sendo neutralizado em território venezuelano.
Tensões Crescem Entre Caracas e Washington
As denúncias surgem em meio a uma escalada de tensões entre Caracas e Washington. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a autorização de operações secretas da CIA na Venezuela. Documentos divulgados pelo The Washington Post revelam que tais operações têm como objetivo promover “ações agressivas” que podem culminar na derrubada do governo de Nicolás Maduro.
O governo chavista classificou a presença militar norte-americana no Caribe como uma “provocação hostil”. A chegada do USS Gravely – equipado com mísseis Tomahawk e estacionado a menos de 10 km do território venezuelano – foi vista como parte de uma estratégia coordenada pelo Comando Sul dos EUA. O contratorpedeiro faz parte de uma frota que inclui o porta-aviões Gerald R. Ford, descrito pelo Pentágono como “a plataforma de combate mais letal do mundo”.
Em comunicado oficial, o governo Maduro criticou Trinidad e Tobago por permitir a presença militar dos EUA em seu território, acusando o país caribenho de “renunciar à sua soberania”. “Trata-se de uma ação que constitui séria ameaça à paz caribenha”, afirmou o texto, que também menciona episódios históricos usados pelos EUA para justificar guerras, como as explosões do navio Maine, em 1898, e o incidente do Golfo de Tonkin, em 1964.
Por outro lado, o governo de Trinidad e Tobago rejeitou as acusações e defendeu que o USS Gravely participa de ações de cooperação regional voltadas para segurança e combate ao crime transnacional.
Ofensiva Norte-Americana no Caribe
A ofensiva liderada pelos EUA no Caribe, justificada como uma iniciativa para combater o narcotráfico, já deixou ao menos 43 mortos desde o início das operações, segundo dados oficiais norte-americanos. Trump acusa Maduro de liderar o chamado “Cartel de los Soles”, uma suposta organização envolvida no tráfico internacional de drogas. O Departamento de Estado oferece uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à captura do presidente venezuelano.
Enquanto isso, Caracas intensifica sua mobilização militar ao longo do litoral e reitera que está preparada para defender sua soberania. “A Venezuela não cairá em provocações”, diz o comunicado oficial. “Mas ninguém se engane: estamos prontos para resistir a qualquer tentativa de agressão.”
