- 02/01/2026
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Pescador resgata tubarão-lixa acidentalmente fisgado e devolve ao mar em Sirinhaém
Na tarde de quarta-feira (31), um encontro inesperado chamou a atenção de banhistas na Praia de A Ver o Mar, em Barra de Sirinhaém, na Zona da Mata pernambucana. O pescador Wellington Maia, de 53 anos, fisgou acidentalmente um tubarão-lixa de quase dois metros durante uma pescaria com isca viva. O animal, com cerca de 50 quilos e 1,80 metro de comprimento, foi arrastado até a areia, mas graças à experiência do pescador, retornou ao mar em segurança.
Wellington, que pratica pesca esportiva há mais de três décadas, percebeu imediatamente o risco que o anzol representava para o tubarão. “Eu trabalhei muito para pôr ele para fora [do mar]. Na hora, nem sabia que era um tubarão-lixa nem tinha noção do tamanho dele. Sabia, porém, que tinha que tirar o anzol da boca para não ficar preso na garganta e, futuramente, matar o bicho”, contou ao g1.
As imagens filmadas por testemunhas mostram o momento em que o pescador segura o animal pela cauda, vira-o de barriga para cima — técnica que ajuda a acalmar o tubarão — e retira cuidadosamente o anzol. Com o auxílio de dois outros homens, ele consegue devolvê-lo ao oceano. “Ele saiu com bastante saúde, nadando bem”, afirmou Wellington, aliviado.
A oceanógrafa Simone Teixeira, professora do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Pernambuco (UPE) e integrante do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), analisou o vídeo e validou a conduta do pescador. “Colocar o tubarão de barriga para cima é exatamente o que recomendamos para manipulá-lo com segurança. Ele demonstrou conhecimento. Já uma pessoa inexperiente deveria apenas cortar a linha e deixar o anzol no animal, evitando riscos”, explicou.
Ela destacou ainda que o tubarão resgatado é um macho e que sua devolução ao habitat natural é especialmente relevante em janeiro, mês em que a espécie entra em período reprodutivo. O tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum) é classificado como vulnerável pela Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, e sua captura intencional é considerada crime ambiental. No entanto, como foi uma pesca acidental, a ação de Wellington foi não só legal, mas também louvável.
Inofensivo para humanos, o tubarão-lixa só reage de forma agressiva se for provocado. Sua dieta inclui peixes pequenos e invertebrados como crustáceos, ouriços-do-mar e lulas. A espécie habita as águas costeiras de Pernambuco e também é comum em Fernando de Noronha.
