- 04/01/2026
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De motorista de ônibus a alvo de Trump: a queda de Nicolás Maduro
Nicolás Maduro, figura central da política venezuelana nas últimas décadas, tornou-se manchete mundial neste sábado (3) após ser detido por forças dos Estados Unidos e transferido para Nova York, onde enfrentará acusações de narcoterrorismo ao lado de sua esposa, Cilia Flores. A operação, orquestrada sob ordens do ex-presidente Donald Trump, marca um desfecho dramático para o governo de Maduro — há 12 anos no poder e recentemente reeleito em pleito amplamente questionado pela comunidade internacional.
Antes de assumir a Presidência da Venezuela em 2013, após a morte de Hugo Chávez, Maduro teve origens modestas: nascido em Caracas em 23 de dezembro de 1962, começou a vida profissional como motorista de ônibus do Metrô da capital. Foi ali, no fim da década de 1970, que deu seus primeiros passos na militância ao fundar um sindicato para representar os trabalhadores do sistema metroviário.
Sua trajetória política se entrelaçou com a de Chávez, de quem se tornou aliado fiel. Participou do Movimento Bolivariano Revolucionário 200 (MBR-200) e ganhou projeção nacional ao liderar campanhas pela libertação do líder bolivariano após a fracassada tentativa de golpe de 1992. Eleito deputado em 2000 e presidente da Assembleia Nacional em 2006, foi nomeado chanceler por Chávez em 2006 — cargo que ocupou até 2012. Com a morte do mentor, herdou o comando do país e venceu as eleições de 2013 contra Henrique Capriles.

Seu governo, contudo, foi marcado por sucessivas crises: hiperinflação, escassez de alimentos e medicamentos, repressão a opositores e crescente isolamento diplomático. Em 2014, protestos massivos foram duramente reprimidos, com prisões de figuras como Leopoldo López e Antonio Ledezma, então prefeito de Caracas. Tais atitudes agravaram a condenação internacional e afastaram até aliados tradicionais — entre eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se recusou a reconhecer a vitória de Maduro nas eleições de 2024.
Naquele pleito, a principal candidata da oposição, María Corina Machado, teve sua candidatura barrada. Sua substituta, Corina Yoris, não conseguiu registrar sua candidatura, levando a oposição a apoiar Edmundo González como plano B. Apesar da vitória declarada por Maduro, observadores da ONU, da União Europeia e dos Estados Unidos rejeitaram o processo eleitoral como não democrático.
As tensões com Washington, no entanto, atingiram seu ápice em agosto de 2025 — início do terceiro mandato de Donald Trump. Em uma ofensiva contra o narcotráfico no Pacífico, que resultou na destruição de embarcações e mais de cem mortos, Trump passou a classificar Maduro como chefe do “Cartel de los Soles” e declarou seu regime uma “organização terrorista”. A acusação de narcoterrorismo, aliada à deterioração interna da Venezuela, pavimentou o caminho para a operação que culminou na captura do ex-presidente.
