- 11/01/2026
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Irã vive a maior onda de protestos em uma década; mais de 500 mortos e 10 mil presos
O Irã enfrenta sua mais grave crise de contestação popular em quase dez anos. Segundo balanço divulgado neste domingo (11/1) pela ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), já são 538 mortes confirmadas desde o início dos protestos, com 490 manifestantes e 48 policiais entre as vítimas. Mais de 10 mil pessoas foram detidas, segundo fontes locais monitoradas pela organização.
A HRANA, especializada na documentação de violações de direitos humanos no país, afirma que os dados foram obtidos a partir de relatos confiáveis no território iraniano e cruzados com informações de veículos independentes. No entanto, especialistas alertam que o número real de mortos pode ser ainda maior. Um apagão quase total da internet, imposto pelo regime teocrático e monitorado pela ONG de cibersegurança Netblocks, dificulta a verificação em tempo real dos acontecimentos.
As denúncias de uso excessivo da força contra manifestantes se intensificaram nos últimos dias. Neste domingo, o chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, admitiu que “o nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”, sinalizando uma escalada na repressão estatal.
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro, impulsionados por uma profunda crise econômica marcada pela desvalorização do rial, inflação galopante e colapso nas condições de vida da população. Embora tenham começado com reivindicações estritamente econômicas, os atos rapidamente ganharam contornos políticos, com críticas diretas ao regime dos aiatolás e ao líder supremo, Ali Khamenei. Agora, os manifestantes exigem reformas institucionais, mudanças no sistema judiciário e ampliação das liberdades civis.
Enquanto isso, autoridades iranianas insistem em atribuir a agitação a uma suposta conspiração estrangeira. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou em sessão que o Irã retaliará com força caso haja qualquer intervenção militar dos Estados Unidos. “Se os EUA lançarem um ataque, tanto os territórios ocupados quanto suas bases militares e portuárias serão alvos legítimos”, declarou.
A ameaça surge após o ex-presidente norte-americano Donald Trump publicar, no sábado (10/1), uma mensagem no Truth Social afirmando que “os Estados Unidos estão prontos para ajudar” os manifestantes iranianos. “O Irã está olhando para a liberdade, talvez como nunca antes”, escreveu Trump, sem detalhar possíveis medidas de apoio.
Apesar do cerco crescente das forças de segurança, os protestos continuavam ativos em diversas regiões do país até o fim de semana, demonstrando uma resistência inédita à autoridade do regime islâmico.
