- 15/02/2026
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Brasil faz história com ouro inédito nos Jogos de Inverno: Lucas Pinheiro Braathen brilha no slalom gigante
O hino nacional brasileiro ecoou nas montanhas geladas dos Alpes italianos. Pela primeira vez na história, o Brasil subiu ao pódio nos Jogos Olímpicos de Inverno — e não foi com qualquer medalha, mas com o tão sonhado ouro. O feito histórico coube a Lucas Pinheiro Braathen, que dominou a prova de slalom gigante do esqui alpino realizada na manhã de sábado (14), em Milão-Cortina 2026.
Com um desempenho impecável, Lucas cravou o melhor tempo já na primeira descida: 1min13s92, quase um segundo à frente do suíço Marco Odermatt (1min14s87). Apesar de demonstrar certa insatisfação logo após cruzar a linha de chegada, ninguém ameaçou sua liderança. Na segunda descida, marcou 1min11s08, somando 2min25s00 no total — suficiente para garantir a medalha de ouro com folga. Odermatt levou a prata (2min25s58) e Loic Meillard, também da Suíça, ficou com o bronze (2min26s17).
O outro brasileiro na disputa, Giovanni Ongaro, terminou em 31º lugar, com tempo total de 2min34s15. Até então, o melhor resultado do Brasil em Jogos de Inverno pertencia a Isabel Clark, nona colocada no snowboard cross em Turim 2006.
Com essa vitória, o Brasil entrou para um seleto grupo de nações: tornou-se o nono país a conquistar ouro no slalom gigante masculino — ao lado de potências do esqui como Áustria, Suíça, Itália, França, Noruega, Estados Unidos, Suécia e Alemanha. Além disso, é o terceiro país do Hemisfério Sul a subir ao pódio em Jogos de Inverno, após Austrália e Nova Zelândia, e o primeiro da América Latina a alcançar tal feito.
Filho de um norueguês e de uma brasileira de Campinas, Lucas nasceu em Oslo e decidiu defender as cores do Brasil em 2024, após cogitar encerrar a carreira por frustrações com a federação norueguesa. “Perdi o prazer de competir”, admitiu na época. Mas, ao ser procurado pela Confederação Brasileira de Desporto na Neve (CBDN), reacendeu a chama — especialmente após obter a cidadania brasileira graças à herança materna.
Antes dos Jogos, era o segundo colocado no ranking mundial da modalidade e vinha de três medalhas de prata em etapas da Copa do Mundo. Longe de se abalar com a expectativa, transformou a pressão em combustível. “Se eu não estivesse aqui para fazer a diferença, por que estaria aqui?”, questionou em entrevista coletiva dias antes da competição.
Durante a cerimônia de abertura, Lucas dividiu os holofotes como porta-bandeira do Brasil ao lado de Nicole Silveira, do skeleton. Com um gesto simbólico, exibiu a bandeira estampada no forro de seu casaco oficial — um detalhe que resumiu seu propósito: representar a diversidade e a força de um país tropical em território gelado.
“Quero mostrar que é possível para um brasileiro se destacar em uma modalidade tão tradicionalmente europeia”, afirmou meses atrás. E cumpriu à risca. Sua conexão com o público cresceu ainda mais com suas icônicas danças de comemoração após os pódios — hábito que já havia cativado fãs brasileiros nas etapas anteriores da temporada, onde era comum ver arquibancadas repletas de verde e amarelo, pão de queijo e brigadeiro circulando nas pistas.
Agora, Lucas se prepara para sua próxima prova: o slalom masculino, marcado para segunda-feira, com descidas previstas às 6h e 9h30 (horário de Brasília). Mas, independentemente do que vier, já entrou para a história — e inspirou uma nova geração a acreditar que, sim, tudo é possível.
