• 15/04/2026
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Irã alerta que pode fechar rotas marítimas estratégicas em resposta a bloqueio dos EUA

Irã alerta que pode fechar rotas marítimas estratégicas em resposta a bloqueio dos EUA

Em resposta ao cerco naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, as Forças Armadas do Irã emitiram um alerta contundente: o país está preparado para impedir qualquer fluxo comercial nas águas do Golfo Pérsico, Mar de Omã e Mar Vermelho. A declaração, veiculada nesta quarta-feira (15), reacende as tensões em uma das regiões mais sensíveis do planeta.

O major-general Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbia, afirmou que Teerã adotará medidas “decisivas” para proteger sua soberania. Segundo a agência iraniana Tasnim, o militar foi categórico: “Se os EUA, com sua agressividade e espírito terrorista, persistirem nas ações ilegais de bloqueio marítimo e na criação de insegurança para navios comerciais e petroleiros iranianos, essa postura configurará violação do cessar-fogo. Nossas poderosas Forças Armadas não permitirão que exportações ou importações sigam fluindo na região”.

Estrangulamento do mercado energético

O fechamento do estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, poderia agravar significativamente a já delicada situação no mercado global de petróleo, intensificada pela ameaça de bloqueio no Estreito de Ormuz. Dados da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que, enquanto Ormuz responde por cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, Bab el-Mandeb é responsável por até 5% desse fluxo. Ambos são considerados “pontos de estrangulamento” críticos para a economia energética global.

O Irã sustenta que o bloqueio naval imposto pelos EUA no Estreito de Ormuz — que atinge embarcações com destino ou origem em portos iranianos — é ilegal e fere a soberania nacional. Do outro lado, o governo de Donald Trump mantém a pressão sobre Teerã, buscando forçar a aceitação dos termos propostos pela Casa Branca.

Paquistão entra em cena como mediador

Em meio ao impasse, o chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, desembarcou em Teerã nesta quarta-feira com uma missão delicada: levar uma mensagem dos EUA e articular os preparativos para uma possível nova rodada de negociações, após o insucesso do encontro realizado no último final de semana. Munir foi recebido pelo chanceler iraniano, Abbas Araqchi, em sinal de abertura ao diálogo.

Donald Trump, por sua vez, tem defendido publicamente a retomada das conversas em breve, embora as divergências permaneçam significativas.

Cessar-fogo no Líbano: esperança e cautela

Paralelamente, o Irã pressiona por um cessar-fogo no Líbano, onde os confrontos entre Israel e Hezbollah seguem ativos. Teerã acusa Israel de violar os termos do acordo firmado com os EUA. O Paquistão, atuando como intermediário, confirmou que o cessar-fogo previsto incluía a suspensão das hostilidades em todas as frentes do conflito no Oriente Médio.

Fontes anônimas ligadas ao governo iraniano revelaram à emissora Al-Mayadeen, de Beirute, que há expectativa de que um cessar-fogo no Líbano entre em vigor ainda nesta noite, com vigência de uma semana — coincidindo com o prazo restante do acordo entre EUA e Irã. Contudo, a mesma fonte alertou: “Netanyahu, como elemento disruptivo, pode agir novamente para frustrar este acordo”.

O chanceler iraniano atribuiu o fracasso das negociações às “exigências excessivas” e à “má fé” dos EUA. Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, reafirmou que o país não abrirá mão de seu programa nuclear de caráter pacífico.

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