• 18/04/2026
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Irã fecha novamente o Estreito de Ormuz e acende alerta global no mercado de petróleo

Irã fecha novamente o Estreito de Ormuz e acende alerta global no mercado de petróleo

Em um movimento que volta a colocar em xeque a segurança energética mundial, o Irã anunciou, neste sábado (18), o fechamento imediato do Estreito de Ormuz. A decisão, tomada poucas horas após a reabertura da rota marítima, é uma resposta direta à manutenção, pelos Estados Unidos, do bloqueio aos portos iranianos.

A agência britânica de segurança marítima (UKMTO) registrou movimentações atípicas na região, com relatos de possíveis ataques a duas embarcações e mudanças de rota de navios que se preparavam para atravessar o estreito — ponto nevrálgico por onde escoava, antes do conflito, cerca de 20% do comércio global de hidrocarbonetos.

Segundo o comando central das Forças Armadas iranianas, Teerã havia autorizado, “de boa-fé”, a passagem limitada de petroleiros e navios comerciais. No entanto, a decisão foi revertida diante do que classificou como “atos de pirataria respaldados pelo chamado bloqueio americano”. “Os EUA não podem impor sua vontade e manter o Irã sob sítio”, disparou o vice-ministro das Relações Exteriores, Saed Khatibzadeh.

Do outro lado do tabuleiro, o presidente americano, Donald Trump, rechaçou a manobra iraniana. “Eles queriam fechar o estreito de novo — como vêm fazendo há anos — e não podem nos chantagear”, afirmou em evento na Casa Branca. O Comando Central dos EUA atualizou que, desde o início do bloqueio, 23 navios acataram ordens americanas para retornar ao Irã.

Xadrez diplomático em ritmo de urgência

O novo fechamento ocorre em um momento delicado das negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio. Um cessar-fogo de duas semanas entre Irã e EUA, vigente desde 8 de abril, termina na próxima quarta-feira, e as peças diplomáticas se movimentam para buscar um acordo mais amplo.

Trump chegou a declarar à AFP que um acordo de paz estava “muito próximo”, citando suposta aceitação iraniana para entregar urânio enriquecido — ponto crucial das tratativas. Teerã, contudo, negou veementemente ter concordado com a transferência. “A parte americana tuíta muito, fala muito. Às vezes é confuso, às vezes, contraditório”, criticou Khatibzadeh.

Nesse cenário, o Paquistão assume papel de mediador. O marechal Asim Munir, comandante do Exército paquistanês, concluiu visita de três dias ao Irã, entregando “novas propostas” americanas. O Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano informou que analisa as sugestões, mas adiantou que a delegação negociadora “não fará a mínima concessão” e defenderá “com toda sua força os interesses da nação”.

Frente libanesa: cessar-fogo frágil e tensão persistente

Enquanto o Golfo Pérsico volta a ferver, no Líbano a situação segue instável. Um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah está em vigor desde sexta-feira, após um mês e meio de confrontos que deixaram quase 2.300 mortos no lado libanês. Mesmo assim, o Exército israelense anunciou a criação de uma “linha amarela” de demarcação no sul do país, ameaçando atacar quem se aproximar.

A fragilidade da trégua ficou evidente quando o presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou a morte de um soldado e ferimentos em outros três em um ataque contra capacetes azuis da ONU no Líbano. Macron e a missão da ONU acusaram o Hezbollah, que negou envolvimento.

O impacto humanitário é avassalador: mais de um milhão de deslocados começaram a retornar para suas casas no sul do Líbano ou nos subúrbios de Beirute, mas o medo permanece. “Não nos sentimos seguros. Estou sempre com medo de que aconteça alguma coisa durante a noite sem que eu consiga pegar meus filhos e fugir”, relatou Samah Hjoul, mãe de quatro filhos que vive em uma barraca na capital.

Mercado reage, mas cautela persiste

A breve reabertura do estreito na sexta-feira havia animado as bolsas internacionais e provocado queda nos preços do petróleo. Com o novo fechamento, a expectativa é de volatilidade imediata nos mercados.

Apesar da escalada retórica, há sinais de que os canais de diálogo permanecem abertos. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, também concluiu rodada de visitas à Arábia Saudita, Catar e Turquia, reforçando os esforços regionais por uma solução diplomática.

Enquanto isso, Trump endureceu o tom em relação a Israel, afirmando que o país está “proibido” de bombardear o Líbano durante a trégua de 10 dias que ajudou a negociar. Já o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que sua missão de desarmar o Hezbollah “ainda não terminou”.

O mundo observa, entre a esperança de um acordo e o receio de um novo capítulo de violência, enquanto o Estreito de Ormuz volta a ser o epicentro de uma crise que pode impactar economias muito além do Oriente Médio.

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