- 20/04/2026
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Alepe demite assessor investigado por esquema de “rachadinha” e desvio de R$ 2,8 milhões
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) oficializou, em 15 de abril, a exoneração do assessor especial Arthur Valença de Luna, um dos alvos da Operação Draft, ação da Polícia Civil que investiga um sofisticado esquema de “rachadinha” e desvio de recursos públicos. A medida, publicada no Diário Oficial do Estado em 17 de abril e assinada pelo presidente da Casa, Álvaro Porto (MDB), no dia anterior, ocorre em meio a apurações que apontam para um prejuízo mínimo de R$ 2,8 milhões aos cofres estaduais.
Antes da demissão, Luna atuava no gabinete da deputada estadual Gleide Ângelo (PSB). Em nota encaminhada à imprensa, a parlamentar se antecipou a possíveis associações, destacando que “o servidor é investigado por fatos ocorridos antes mesmo de Gleide Ângelo exercer o mandato de deputada estadual”. Segundo ela, “não há qualquer relação entre a investigação mencionada e o gabinete”.
A deputada reforçou que, à época dos fatos apurados, o assessor integrava outro gabinete parlamentar e que, por isso, não havia conhecimento prévio sobre investigações em seu nome no momento da contratação. “Tão logo a apuração se tornou conhecida, foram adotadas as medidas cabíveis, sem prejuízo do seu direito à ampla defesa e ao devido processo legal”, completou. Até o fechamento desta matéria, a reportagem não obteve retorno da defesa de Arthur Valença de Luna.
Operação Draft: entenda o caso
Deflagrada em 15 de abril, a Operação Draft é fruto de uma investigação iniciada em dezembro de 2023 e mira uma organização criminosa suspeita de praticar peculato, concussão e lavagem de dinheiro no âmbito da Alepe. Além de Arthur Valença de Luna, a operação tem como alvos outros servidores públicos e dois ex-deputados estaduais. Por estratégia investigativa, a Polícia Civil optou por não divulgar nominalmente todos os envolvidos, a fim de preservar o andamento dos trabalhos.
As ações cumpriram oito mandados de busca e apreensão nas cidades do Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana. Durante as diligências, foram apreendidos valores em espécie — incluindo moedas estrangeiras — e barras de prata. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e contas bancárias relacionadas aos investigados.
Modus operandi do esquema
De acordo com as investigações, o grupo criminoso operava por meio da nomeação de “assessores fantasmas” — pessoas que recebiam salários entre R$ 6 mil e R$ 18 mil sem prestar qualquer serviço efetivo. Na prática, a maior parte desses vencimentos era repassada ao esquema, caracterizando a conhecida “rachadinha”.
Os “laranjas” contratados ficavam com apenas R$ 300 mensais, devolvendo o restante aos operadores da quadrilha. As investigações apontam ainda que os valores desviados eram ocultados por meio de contas de terceiros, com depósitos fracionados e operações financeiras simuladas para dificultar o rastreamento. Os supostos desvios teriam ocorrido entre 2015 e 2019.
