- 19/05/2026
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Joaquim Barbosa assume protagonismo no DC e acirra disputa pela terceira via
Em movimento que promete reconfigurar o xadrez eleitoral, o Democracia Cristã (DC) confirmou, neste sábado (16), a pré-candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República. A decisão, apurada com exclusividade pelo analista político Teo Cury, da CNN, representa uma guinada estratégica da legenda e substitui diretamente o nome de Aldo Rebelo, lançado anteriormente como candidato ao Palácio do Planalto.
A troca de rumos não ocorreu sem turbulências. Segundo Cury, a escolha de Barbosa — ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do histórico julgamento do Mensalão — gerou um racha interno significativo. Aldo Rebelo, preterido pela sigla, classificou o lançamento como “balão de ensaio” e reiterou que mantém sua condição de pré-candidato, apesar do anúncio oficial do partido. “Ele não deslanchou”, resumiu o analista sobre a trajetória de Rebelo nas pesquisas qualitativas que motivaram a reestruturação.
Estratégia de terceira via e perfil de combate à corrupção
A aposta do DC em Joaquim Barbosa mira consolidar uma terceira via capaz de disputar espaço com os polos liderados por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A avaliação interna é de que o perfil de Barbosa, historicamente associado ao combate à corrupção e a condenações de figuras políticas, pode ressoar junto a um eleitorado cético tanto com a classe política tradicional quanto com instituições como o próprio STF.
A filiação de Barbosa ao partido ocorreu no início de abril, na reta final da janela partidária, após testes positivos em pesquisas qualitativas. Ainda assim, o caminho até a oficialização da candidatura permanece cheio de obstáculos. O ex-ministro mantém postura discreta e não se pronunciou publicamente sobre a pré-candidatura, o que gera cautela em possíveis aliados.
Desafios de articulação e cenário nacional
Teo Cury destacou que, em pleitos anteriores, Barbosa já flertou com ambições presidenciais sem concretizá-las — um histórico que exige demonstrações mais sólidas de comprometimento antes de atrair parceiros de chapa. O DC, agora, busca contornar a crise interna e definir um nome para a vice-presidência. Líderes de legendas de centro já foram sondados, mas aguardam sinais mais concretos do pré-candidato. “Ainda tem um chão pela frente”, ponderou o analista.
Ciro Gomes muda de tabuleiro e mira o Ceará
Em outro desdobramento relevante do cenário político, Ciro Gomes (PSDB) anunciou que não disputará a Presidência desta vez. Seu foco agora é o governo do Ceará, estado que já administrou no passado. Se eleito, conquistaria seu segundo mandato à frente do executivo estadual.
O lançamento da pré-candidatura de Ciro ganhou repercussão nas redes sociais após um episódio inusitado durante um comício. Ao discursar sobre segurança pública, o político interpretou erroneamente um gesto de um apoiador como apologia ao Comando Vermelho e chegou a ordenar a prisão do indivíduo. Alertado pela equipe de que se tratava de um sinal de vitória, Ciro se retratou no ato e usou o momento para reforçar seu discurso de enfrentamento às facções criminosas.
No plano eleitoral cearense, Ciro enfrentará desafios de peso: o grupo político de Camilo Santana (PT-CE), que deixa o governo com altos índices de aprovação; a rivalidade fraternal com o irmão Cid Gomes (PSB), adversário direto no estado; e aproximações com integrantes do Partido Liberal, fator que adiciona complexidade à disputa.
