- 09/05/2026
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PP sela aliança com Raquel Lyra e Eduardo da Fonte mira Senado em “time político” para 2026
O Progressistas (PP) formalizou, na noite desta sexta-feira (8), seu apoio incondicional à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD). O anúncio, realizado na sede do partido no bairro do Pina, Zona Sul do Recife, marcou o fim de um breve, porém intenso, período de incertezas nas relações entre o grupo de Eduardo da Fonte e o Palácio do Campo das Princesas. Com a casa arrumada, a estratégia para 2026 é clara: apresentar uma frente unida, blindada contra dissidências e focada na entrega de resultados sociais.
Eduardo da Fonte, presidente estadual do PP e deputado federal, não economizou adjetivos ao definir a nova configuração da base aliada. Para ele, a incorporação do Progressistas consolida o “maior time político de Pernambuco”. Em discurso inflamado, o dirigente fez questão de deixar recado para quem aposta na fragmentação do grupo.
“A palavra de ordem aqui é união, força e coragem. Quem estiver torcendo para que esse time se desuna vai quebrar a cara. Nós estaremos juntos, lado a lado, defendendo os direitos do povo pernambucano”, disparou Fonte, usando linguagem direta para enfatizar a solidez da aliança.
De “lamber barra de sal” à estabilidade institucional
Raquel Lyra, por sua vez, adotou um tom mais conciliador, mas não menos firme, ao reconhecer a importância do PP desde os momentos mais difíceis de sua gestão. A governadora fez questão de lembrar que o partido esteve ao lado do governo desde o segundo turno de 2022, numa fase em que era necessário “quebrar pedra” e “lamber barra de sal” — expressão coloquial que ilustra a dureza dos desafios iniciais — para reconstruir a credibilidade do Estado.
“Vocês estiveram conosco desde o primeiro momento. Souberam que o começo seria desafiador, que precisaríamos dar muitos ‘nãos’ para que, no futuro, os ‘sims’ tivessem valor e as pessoas voltassem a acreditar no Governo de Pernambuco”, afirmou a chefe do Executivo.
Para Lyra, a polarização política é um luxo que o pernambucano comum não pode pagar. Citando dados que indicam que 70% da população não está focada na eleição de 2026, a governadora argumentou que a prioridade do eleitor é a sobrevivência diária: emprego, comida na mesa e segurança contra intempéries climáticas.
“As lutas e as dores do dia a dia fazem com que a preocupação seja muito mais sobre qual trabalho terá, o que colocará no prato dos filhos ou se a casa cairá pela chuva. Nossa maior entrega para a reeleição é trabalhar incansavelmente para cuidar de gente, deixando de falar de eleição para falar de vida”, disse.
A governadora também aproveitou para destacar a retomada da capacidade de articulação institucional de Pernambuco, especialmente na relação com o governo federal e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reforçando que o estado vive um momento distinto de administrações passadas, com investimentos em áreas antes negligenciadas.
Fonte no Senado e o fim da novela nos bastidores
O evento serviu também como palanque para as ambições pessoais de Eduardo da Fonte. Ele reafirmou publicamente sua pré-candidatura ao Senado Federal, posicionando-se como o nome maduro e preparado para representar Pernambuco em Brasília. Ao citar sua passagem pela vice-presidência da Câmara dos Deputados e pela Corregedoria, Fonte buscou legitimar seu pleito perante lideranças presentes, incluindo nomes cotados para a chapa majoritária, como Miguel Coelho (União Brasil) e Túlio Gadêlha (PSD).
“Tenho ouvido nossos companheiros por todo o estado. Vejo a emoção nos olhos deles quando dizem: ‘Dudu, chegou a hora’. E eu me sinto pronto para cumprir essa missão”, declarou.
A oficialização do apoio, contudo, não apaga completamente as marcas da recente turbulência política. Nos meses anteriores, a relação entre o PP e o Palácio chegou a um ponto crítico. Durante a janela partidária em março, Eduardo da Fonte flertou com uma aproximação com o grupo do prefeito do Recife, João Campos (PSB). A movimentação irritou o governo estadual, que respondeu com a exoneração de cargos aliados a Fonte e a substituição por indicações do grupo Coelho.
A tensão escalou a ponto de o PP sair do “blocão” governista na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), com Fonte argumentando que não permitiria que seus parlamentares ficassem reféns de decisões arbitrárias sobre comissões. No entanto, a diplomacia falou mais alto. Parlamentares do PP atuaram nos bastidores durante abril para restabelecer o diálogo, resultando na paz armada selada nesta sexta-feira, que inclui o retorno de indicados de Fonte a cargos estratégicos no governo.
Com a rusga superada, a mensagem que fica é de que, em política, não há inimigos permanentes, apenas interesses convergentes. E, para 2026, o interesse do PP e do PSD parece ser, acima de tudo, a manutenção do poder através de uma narrativa de unidade e eficiência administrativa.
