• 23/05/2026
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Sinppenal acusa “regime de princesa” para Deolane Bezerra e exige punição a agentes em SP

Sinppenal acusa “regime de princesa” para Deolane Bezerra e exige punição a agentes em SP

O clima está pesado nos corredores da Polícia Penal de São Paulo. O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) soltou o verbo e formalizou uma denúncia grave contra o tratamento dispensado à advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra na Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital. Deolane, presa sob a suspeita de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), teria recebido um tratamento VIP, quebrando protocolos básicos do sistema prisional.

A entidade protocolou a reclamação na Direção-Geral da Polícia Penal e pediu a abertura imediata de um processo administrativo e disciplinar. A ideia é investigar a fundo e punir quem facilitou as regalias. Segundo o sindicato, quando Deolane chegou à unidade, foi recebida pessoalmente pelo diretor — algo que não acontece com a massa carcerária comum.

As irregularidades relatadas vão além da burocracia. Houve uma ordem direta para esvaziar a sala de espera, espaço normalmente usado pelas detentas que aguardam atendimento médico, só para acomodar a influenciadora com conforto. Enquanto as outras presas enfrentam a rotina dura do cárcere, Deolane teria jantado a mesma comida servida aos carcereiros, fugindo do cardápio padrão das detentas.

Para completar o quadro de privilégios, a denunciada teria tomado banho quente em chuveiro elétrico privativo e dormido em uma cama de verdade, bem diferente dos beliches de concreto das celas superlotadas. O acesso de outros agentes penais ao local onde ela estava foi restrito, o que, na visão do sindicato, “comprometeu a fiscalização e a segurança institucional”. Ninguém podia entrar, ninguém podia ver.

O Departamento Jurídico do Sinppenal não poupou críticas. Em nota, a entidade afirmou que tais condutas violam frontalmente a Lei de Execução Penal. O artigo 3º garante igualdade de tratamento a todos os presos, e o artigo 4º proíbe qualquer discriminação — seja para pior, seja para melhor — baseada em condição social, econômica ou fama. “Notoriedade pública não é passe livre para furar a fila ou mudar as regras”, resume o entendimento da categoria.

A denúncia também lembra a Lei Orgânica da Polícia Penal de São Paulo, que obriga os servidores a agir com impessoalidade, moralidade e eficiência. Manter a ordem sem distinções arbitrárias é dever de casa, e não opcional.

Enquanto isso, a realidade do sistema segue crítica. Dados da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) mostram que a penitenciária de Santana opera acima da capacidade: foram projetadas 2.686 vagas, mas há 2.822 mulheres encarceradas. Para onde Deolane foi transferida no dia 22, a penitenciária de Tupi Paulista, no oeste do estado, a situação se repete: limite de 714 vagas para 872 detentas.

“Além da superlotação, falta gente para trabalhar. São mil celas e poucos policiais. Os servidores relatam que remédio é raro e atendimento médico complexo vira novela, porque a escolta demora ou nem aparece”, desabafa o sindicato, pintando um cenário de caos que contrasta fortemente com o conforto alegadamente oferecido à influenciadora.

Em sua defesa, a SAP lavou as mãos. A Secretaria afirmou que Deolane foi alocada conforme determinação judicial, que reconheceu seu registro ativo como advogada. “A atuação institucional da SAP limitou-se ao estrito cumprimento do dever legal e das ordens do Poder Judiciário”, informou o órgão, deixando a bola no campo da Justiça e afastando a responsabilidade administrativa sobre as supostas regalias.

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