- 14/08/2026
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EUA miram ofensiva terrestre contra narcotráfico na América Latina: “Alvos legítimos” incluem facções brasileiras
Os Estados Unidos oficializaram a intenção de levar a guerra contra o narcotráfico para o solo latino-americano. Em declaração contundente feita na última quarta-feira (12), o secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que o país planeja realizar operações militares terrestres contra traficantes, replicando a tática já empregada em ataques a embarcações em águas internacionais. A nova diretriz amplia o escopo de ação para “onde quer que” as organizações criminosas atuem, independentemente de fronteiras ou de acordos formais prévios.
Hegseth destacou que a estratégia conta com a cooperação de parceiros regionais, citando nominalmente Equador e Colômbia. O objetivo é transpor para a terra firme a letalidade observada nas intervenções navais. “Será o mesmo efeito em terra. Estamos trabalhando com nossos aliados para levar a luta às organizações designadas como terroristas (DTOs) no terreno”, explicou o secretário. A retórica bélica equipara os cartéis da droga a grupos extremistas transnacionais: “Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, essas organizações são um alvo, assim como o ISIS ou a Al-Qaeda”.
O anúncio ocorre em um cenário de escalada tensional e reclassificação jurídica de grupos criminosos. A administração Trump tem expandido o rol de facções enquadradas como organizações terroristas, medida que facilita sanções e ações diretas. Em junho deste ano, duas das maiores facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), receberam essa designação por parte de Washington. Apesar disso, o Brasil não integra a “Coalizão Anticartéis das Américas”, aliança que reúne 19 países, incluindo Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru. O México, território-chave para o tráfico de fentanil e cocaína, também permanece fora do bloco.
A ofensiva terrestre é apresentada como desdobramento direto da campanha naval iniciada em setembro do ano passado no Caribe e no leste do Pacífico, que resultou na morte de pelo menos 215 pessoas em supostas lanchas de narcotraficantes. Segundo Hegseth, a prioridade imediata é desenvolver, junto aos aliados, uma capacidade operacional terrestre equivalente à marítima. A mira americana abrange desde o tráfico de cocaína até o comércio de fentanil, incluindo remanescentes de guerrilhas colombianas, classificados como “alvos legítimos”.
A postura dos EUA sinaliza o abandono da via judicial tradicional em favor da eliminação física das redes criminosas. “Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano”, ameaçou Hegseth. As declarações foram proferidas em local não identificado na selva panamenha, durante exercícios militares anuais que contam com a participação de cerca de 20 nações, reforçando o caráter ostensivo e multinacional da nova doutrina de segurança hemisférica.
