- 15/08/2026
- Sem Comentário
- 3 Minutos de Leitura
Casas Bahia fecha 298 lojas de uma só vez e demissões podem chegar a 3 mil; reestruturação pesada sacode a rede
A Casas Bahia protagonizou, entre os dias 13 e 14 de agosto, uma das mais drásticas reestruturações de sua trajetória recente. Segundo apuração do Valor Econômico, a varejista fechou as portas de 298 unidades e desligou cerca de 1,9 mil colaboradores em apenas dois dias. O tombo é brutal: o corte equivale a 28,7% de toda a rede física, que operava com pouco mais de mil pontos de venda. Fontes do mercado estimam, contudo, que o estrago no quadro de funcionários possa ser ainda maior, chegando a 3 mil demissões quando a poeira baixar. A tesourada faz parte de um plano de choque financeiro, bem diferente do ritmo de fechamentos visto nos últimos anos — entre abril de 2025 e março de 2026, haviam sido encerradas apenas 26 lojas. Para se ter ideia da velocidade da retração, a empresa terminou 2025 com 1.042 unidades, contra 1.078 em 2023.
Os números explicam a urgência da medida, mas também escancaram a gravidade da crise. No primeiro trimestre de 2026, o prejuízo líquido bateu na casa de R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do rombo registrado no mesmo período do ano anterior. Em 2025, o resultado negativo acumulado já havia alcançado aproximadamente R$ 3 bilhões. Nesse cenário de “sangria”, a empresa tenta, a todo custo, migrar para o digital como tábua de salvação. As vendas online de produtos próprios cresceram 26% no trimestre, enquanto as lojas físicas encolheram 1,8%. A receita bruta consolidada até avançou 6,4%, atingindo R$ 8,8 bilhões, com margem bruta de 30,3%, mas o lucro continua sendo uma miragem distante.
Para estancar a hemorragia de caixa, a companhia tem recorrido a manobras financeiras agressivas, incluindo a extensão de prazos para fornecedores e alterações nas condições de repasse aos lojistas do marketplace. Vale lembrar que o grupo passou por uma recuperação extrajudicial em 2024, renegociando cerca de R$ 4 bilhões em dívidas. No ano passado, antecipou a conversão de R$ 1,56 bilhão em títulos e reperfilou outros R$ 1,67 bilhão. É nesse contexto de rearranjo contábil e operacional que a divulgação dos resultados do segundo trimestre, originalmente prevista para o dia 12, foi empurrada para esta sexta-feira (14), com teleconferência remarcada para segunda (17). A mudança de data visa justamente permitir a conclusão do novo plano de reestruturação antes de prestar contas ao mercado. Procurado pela imprensa, o Grupo Casas Bahia não se manifestou sobre os cortes massivos nem sobre o adiamento dos resultados. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.
