- 20/08/2026
- Sem Comentário
- 3 Minutos de Leitura
Operação Purgatório: Justiça afasta prefeito de Caaporã e aponta desvio de R$ 2 milhões em esquema criminoso
O prefeito de Caaporã (PB), Francisco Nazário de Oliveira, popularmente conhecido como Chico Nazário, teve seu mandato suspenso cautelarmente nesta quinta-feira (20). A decisão foi tomada no âmbito da Operação Purgatório, deflagrada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) em parceria com a Polícia Civil do estado (PCPB). O objetivo central das investigações é desmantelar uma suposta organização criminosa que teria se instalado dentro da administração municipal, utilizando a estrutura do Poder Executivo para desviar recursos públicos de forma sistemática.
A ordem de afastamento partiu do Tribunal de Justiça da Paraíba. Paralelamente à suspensão do gestor, agentes policiais cumprem mandados de busca e apreensão, além de medidas de sequestro de bens e valores. As diligências estão sendo realizadas em endereços estratégicos localizados tanto na Paraíba quanto em Pernambuco, indicando uma rede de atuação interestadual para ocultação ou movimentação dos ativos ilícitos.
Segundo as apurações preliminares, o rombo nos cofres municipais já supera a marca de R$ 2 milhões, valor atualizado. Ao todo, doze pessoas estão sob investigação. O esquema, identificado pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), pela Comissão de Combate aos Crimes de Responsabilidade e à Improbidade Administrativa (CCrimp) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), focava principalmente em fraudes nas contratações públicas e dispensas ilegais de licitação. O setor mais afetado, segundo os investigadores, foi o de serviços relacionados à coleta de resíduos sólidos.
Além dos crimes contra a administração pública, as autoridades investigam práticas de falsidade ideológica, uso de documentos falsos e lavagem de capitais. Esta última acusação refere-se à forma como os recursos supostamente desviados eram destinados e circulavam, buscando integrar o dinheiro ilegal à economia formal. Para conter novos prejuízos e garantir um eventual ressarcimento ao erário, a Justiça autorizou o bloqueio de bens até o limite do dano calculado.
Os órgãos responsáveis enfatizam que as medidas adotadas têm caráter cautelar e investigativo, não constituindo condenação antecipada. As investigações continuam para detalhar a participação individual de cada envolvido e verificar a existência de outros cúmplices. Todo o processo seguirá respeitando os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.
