• 20/08/2026
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Bancários param por 24 horas após bancos retirarem propostas e não apresentarem reajuste salarial

Bancários param por 24 horas após bancos retirarem propostas e não apresentarem reajuste salarial

Mais de 50 mil bancárias e bancários em todo o Brasil aderiram à paralisação nacional de 24 horas nesta quinta-feira (20). A mobilização é uma resposta direta ao impasse nas negociações da Campanha Salarial com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A tensão aumentou após a rodada de conversas realizada na terça-feira (18), quando a entidade patronal não apenas deixou de apresentar um índice de reajuste salarial, mas também retirou propostas que já haviam sido massivamente rejeitadas pela base em assembleias no dia 17.

Entre os pontos removidos pela Fenaban estavam o modelo de reajustes escalonados por faixa salarial, a divisão dos valores de vale-refeição e vale-alimentação conforme a localidade e o congelamento do piso salarial de ingresso. Para os trabalhadores, a atitude demonstra má-fé negociadora. Segundo o Comando Nacional dos Bancários, 97% da categoria votou contra o modelo anterior apresentado pelos bancos. Até o momento, não há nenhuma contraproposta econômica concreta sobre a mesa.

Lucro recorde versus precarização

A disparidade entre os resultados financeiros das instituições e as condições dos trabalhadores é o principal combustível da greve. Os bancários apontam que o setor registrou um lucro líquido de R$ 171 bilhões em 2025, com patrimônio líquido atingindo R$ 1,2 trilhão. O lucro médio por empregado chegou a R$ 438 mil no período. Em contraste, a categoria denuncia a redução da massa salarial, o fechamento de agências e a demissão em massa.

Dados apresentados pelos sindicatos indicam que, entre 2015 e 2025, foram extintos 88 mil postos de trabalho formais e 9,5 mil agências físicas. Simultaneamente, os cinco maiores bancos aumentaram em 49% a contratação de correspondentes bancários, muitas vezes sem os mesmos direitos e garantias. Enquanto isso, a remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados deve atingir R$ 12,5 milhões em 2026.

Reivindicações e próximos passos

Além do aumento real dos salários, os bancários exigem a valorização do piso salarial, melhoria na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e nos benefícios de alimentação. Também estão na pauta medidas para frear as demissões, incluindo indenizações adicionais em casos de desligamento e programas sérios de qualificação profissional.

Fabiano Moura, presidente do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, reforçou a determinação da categoria. “Sem proposta, vamos manter a paralisação do dia 20 e com muita intensidade em Pernambuco e todo o país”, declarou. As negociações entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários devem ser retomadas na próxima segunda-feira (24). Até lá, a pressão nas ruas e nas redes sociais continua.

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