- 22/08/2026
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Meta é julgada nos EUA por acusação de viciar crianças e adolescentes em redes sociais
A Meta, proprietária do Facebook e do Instagram, teve início nesta terça-feira (19) o julgamento em ação civil movida por 29 estados norte-americanos. O processo, analisado por um júri em Oakland, na Califórnia, deve se estender por cerca de seis semanas e busca reparações bilionárias além de mudanças estruturais no funcionamento das plataformas. A acusação central é de que a empresa desenvolveu recursos específicos para prolongar o tempo de permanência de crianças e adolescentes nas redes, mesmo ciente dos impactos negativos à saúde mental desse público.
Os autores da ação sustentam que o modelo de negócios da Meta foi desenhado para maximizar a atenção dos usuários jovens através de mecanismos como algoritmos de recomendação, contagem pública de curtidas, notificações táteis e audiovisuais, rolagem infinita e reprodução automática de conteúdo. Segundo a petição inicial, esses recursos funcionariam como sistemas de recompensas variáveis, comparados pelos advogados ao mecanismo de máquinas caça-níqueis, incentivando o uso compulsivo. Além disso, os estados alegam violação da COPPA (Children’s Online Privacy Protection Act), afirmando que a empresa coletava dados de menores de 13 anos sem consentimento parental verificável, apesar de seus próprios termos proibirem contas nessa faixa etária.
Durante a abertura do julgamento, a advogada da Califórnia Megan O’Neill apresentou documentos internos indicando que a Meta identificou “milhões” de crianças de 11 e 12 anos no Instagram, mas teria feito pouco para impedir seu acesso. A acusação também citou pesquisas internas que demonstrariam o conhecimento prévio da empresa sobre os efeitos nocivos das plataformas, que teriam sido ignorados em favor de estratégias de engajamento. Em contrapartida, a defesa da Meta, liderada pelo advogado Paul Schmidt, contestou as cifras, reduzindo o número de usuários identificados nessa idade para pouco mais de 100 mil. A empresa nega que seus produtos causem dependência e argumenta que regras de privacidade limitam sua capacidade de identificar menores.
O julgamento ocorre em um cenário de crescente pressão regulatória e jurídica nos Estados Unidos. Meses antes, em março, um júri de Los Angeles condenou Meta e Google a pagar US$ 3 milhões por danos associados ao uso compulsivo de redes sociais por uma jovem, considerando que as plataformas foram desenvolvidas de forma negligente. Paralelamente, mudanças legislativas têm avançado: a Flórida aprovou, em 2024, lei que proíbe menores de 14 anos de manter contas em redes sociais e exige consentimento parental para adolescentes de 14 e 15 anos, refletindo a urgência do debate sobre a proteção digital de menores.
