- 01/09/2026
- Sem Comentário
- 3 Minutos de Leitura
Moro promete presídio de segurança máxima chamado “El Salvador” no Paraná e acena ao modelo de Bukele
O candidato ao governo do Paraná pelo PL, Sérgio Moro, anunciou nesta segunda-feira (31) que, se eleito, construirá um presídio estadual de segurança máxima batizado de “El Salvador”. A proposta foi apresentada durante o Congresso de Segurança Pública da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com a presença de Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador. O nome escolhido é uma homenagem direta ao país comandado por Nayib Bukele, cuja estratégia de repressão às gangues e prisões em massa tem sido elevada a referência ideológica pela direita latino-americana na campanha eleitoral de 2026.
Moro defende que a unidade permitirá ao estado paranaense deixar de depender das penitenciárias federais para custodiar detentos de alta periculosidade. No entanto, a associação simbólica ignora o contexto controverso do regime de exceção salvadorenho, vigente desde março de 2022. Organizações internacionais de direitos humanos documentam denúncias de detenções arbitrárias, tortura e mortes sob custódia estatal durante esse período, além de questionarem a sustentabilidade jurídica e social do megapresídio Cecot, projetado para abrigar até 40 mil pessoas. Ao transformar a experiência de Bukele em marca de campanha, Moro alinha sua plataforma de segurança pública a um modelo que, embora popular localmente, enfrenta severas contestações éticas e legais no cenário global.
A iniciativa reflete uma tendência mais ampla na corrida presidencial e estadual deste ano, onde políticos como Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado também buscam incorporar elementos da política salvadorenha em seus discursos de endurecimento penal. Contudo, especialistas alertam que as realidades institucionais e sociais do Brasil e de El Salvador são distintas, e que a importação acrítica de medidas autoritárias pode comprometer garantias constitucionais fundamentais. Ao prometer não apenas adotar técnicas inspiradas em Bukele, mas cristalizar seu nome na infraestrutura prisional paranaense, Moro sinaliza que a segurança pública será o eixo central de sua gestão, mesmo que isso implique associar sua imagem a práticas condenadas por organismos multilaterais de proteção humana.
