- 07/09/2026
- Sem Comentário
- 4 Minutos de Leitura
Apresentadora de TV egípcia é condenada à morte por tráfico internacional de drogas e porte ilegal de armas
A justiça do Egito proferiu uma das sentenças mais severas dos últimos anos contra uma figura pública: a apresentadora de televisão Sarah Khalifa, de 39 anos, foi condenada à morte por enforcamento. Ela e outras 11 pessoas foram consideradas culpadas de integrar uma organização criminosa dedicada à importação de ingredientes químicos utilizados na fabricação de drogas sintéticas, além de posse ilegal de armas de fogo e munições.
Khalifa ganhou notoriedade no país justamente por comandar o programa “Missão Impossível”, atração televisiva que abordava temas relacionados à criminalidade e investigações policiais no Egito. Apesar da ironia de sua trajetória profissional cruzar com a acusação penal, a apresentadora sempre negou veementemente qualquer participação no esquema. Durante uma audiência realizada em setembro do ano passado, ela declarou ao juiz que jamais havia visto drogas até ser fotografada com substâncias ilícitas dentro das dependências da autoridade antidrogas egípcia.
O veredicto inicial havia sido anunciado no mês passado, mas a confirmação da pena capital só ocorreu após o tribunal obter o parecer obrigatório do grão-mufti do Egito, exigência legal para todas as condenações à morte no país. Além das 12 penas de morte, outros nove réus foram sentenciados à prisão perpétua, enquanto sete foram absolvidos por falta de provas. O advogado de Khalifa já informou que recorrerá da decisão.
Provas e contexto jurídico
Durante o julgamento, a promotoria apresentou um vasto conjunto probatório. Segundo o jornal estatal al-Ahram, as autoridades apreenderam mais de 750 kg de narcóticos e matérias-primas importadas para a produção de entorpecentes. Vinte testemunhas prestaram depoimento, e provas eletrônicas, incluindo conversas de mensagens e vídeos, foram usadas para sustentar a acusação de que os réus operavam uma rede estruturada de tráfico.
O caso também reacendeu debates sobre a aplicação da pena de morte no Egito. Um relatório da Anistia Internacional de 2025 registrou 492 condenações capitais no país durante o ano anterior, das quais 23 resultaram em execuções efetivas. A organização de direitos humanos criticou o uso da pena máxima para crimes como tráfico de drogas e estupro, argumentando que tais delitos não se enquadram na categoria de “homicídio intencional”, para a qual o direito internacional restringe a aplicação da pena de morte.
A condenação de uma celebridade midiática a uma punição tão extrema chama atenção não apenas pela gravidade do crime imputado, mas também pelo simbolismo de ver uma comunicadora que explorava o universo do crime na TV acabar envolvida nele na vida real. O desfecho do recurso poderá definir se a sentença será mantida ou revista pelas instâncias superiores da justiça egípcia.
