• 23/03/2025
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A redescoberta das pegadas de dinossauros em Sousa, PB: a jornada de Giuseppe Leonardi

A redescoberta das pegadas de dinossauros em Sousa, PB: a jornada de Giuseppe Leonardi

Foi a bordo de um Fusca, atravessando o Brasil de ponta a ponta, que o padre e paleontólogo italiano Giuseppe Leonardi chegou a Sousa, na Paraíba, em busca de um dos maiores tesouros paleontológicos do país. “Vim do Paraná até aqui, por cinco dias. E perguntei: ‘Onde estão as pegadas de dinossauros?’ E ninguém sabia”, recorda Leonardi. Sua trajetória, que começou na década de 1970, foi fundamental para revelar ao mundo a importância do Vale dos Dinossauros.

Atualmente participando do 1º Congresso Internacional de Paleontologia da Paraíba, que acontece em Sousa até este domingo (23), o pesquisador relembra a surpresa ao descobrir que a população local desconhecia o valor histórico das pegadas preservadas na Bacia Sedimentar do Rio do Peixe.

Vale dos Dinossauros em Sousa, na Paraíba - Foto (Reprodução-TV Paraíba)
Vale dos Dinossauros em Sousa, na Paraíba – Foto (Reprodução-TV Paraíba)

A história do Vale dos Dinossauros, no entanto, remonta a muito antes da chegada de Leonardi. Em 1924, o geólogo Luciano Jacques de Moraes foi o primeiro a registrar pegadas de dinossauros na região. Apesar da relevância do achado, a descoberta não recebeu a devida atenção e, por décadas, permaneceu esquecida.

“Quem primeiro encontrou as pegadas foi Luciano Jacques de Moraes, um geólogo que trabalhava na comissão para o problema das secas. Ele descobriu as duas primeiras pegadas na Fazenda Ilha e publicou sua pesquisa no livro ‘Serras e Montanhas do Nordeste’, em 1924. Conheci esse livro ainda na Itália e soube que existiam pegadas de dinossauros aqui”, relata Leonardi.

Determinando-se a encontrar as pegadas, o paleontólogo percorreu rios, fazendas e estradas de terra. No início de sua busca, chegou a pedir ajuda de lavadeiras para remover redes de secagem e examinar o solo. “Comecei na beira do rio, pedindo às lavadeiras que tirassem as redes para ver se encontrava as pegadas”, lembra.

O resultado desse esforço foi impressionante: ao longo de 50 anos, Leonardi realizou 36 expedições e catalogou 42 locais com pegadas de dinossauros. Seu trabalho não apenas expandiu o conhecimento científico sobre a região, mas também contribuiu para transformar Sousa em um polo de turismo científico.

“Todo o patrimônio geológico da Bacia Sedimentar do Rio do Peixe é um ativo valioso para a promoção do turismo na Paraíba”, destaca o turismólogo Silvonetto Oliveira.

O 1º Congresso Internacional de Paleontologia da Paraíba reforça essa perspectiva ao debater formas de potencializar o turismo e o desenvolvimento científico da região. O secretário de Ciência e Tecnologia da Paraíba, Cláudio Furtado, ressalta a importância do evento. “Este é um momento crucial para traçarmos estratégias que fortalecerão o Vale dos Dinossauros como um centro mundial de pesquisa e turismo científico”, afirma.

O legado de Giuseppe Leonardi é, portanto, inestimável. Graças ao seu trabalho, a região de Sousa se consolida como uma referência paleontológica e um destino de grande interesse para cientistas e turistas do mundo inteiro.

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