- 23/08/2026
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Chacina de Pioz: paraibano acusado de auxiliar em crime na Espanha aguarda julgamento 10 anos após o massacre
Dez anos após a chacina que vitimou quatro membros de uma família paraibana na cidade espanhola de Pioz, o processo contra Marvin Henriques Correia segue sem sentença definitiva no Brasil. Acusado de ter auxiliado e incentivado Patrick Nogueira Gouveia — condenado à prisão perpétua revisável pela morte dos tios e primos —, Marvin teve sua absolvição sumária revogada pelo Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) em 2023. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade, aguardando o retorno dos autos à primeira instância após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que negou recurso da defesa em março de 2026.
A acusação se baseia principalmente em conversas trocadas via WhatsApp entre Marvin e Patrick durante a execução dos crimes, em 17 de agosto de 2016. Segundo a Polícia Civil da Paraíba, Marvin acompanhou os assassinatos em tempo real, recebeu fotos dos corpos e teria orientado o autor sobre como ocultar cadáveres e evitar vestígios. O delegado Marcos Paulo, responsável pelas investigações, sustenta que a conduta de Marvin foi determinante para a consumação do quarto homicídio e para a ocultação das provas, caracterizando participação ativa no delito. Em contrapartida, a Polícia Federal havia encerrado o inquérito federal sem indiciamento, entendendo que a atuação de Marvin era eticamente reprovável, mas juridicamente insignificante, pois três dos quatro crimes já haviam ocorrido quando ele foi contatado.
A defesa de Marvin, liderada pelo advogado Sheyner Asfora, contesta a tipificação criminal e argumenta que o réu não tinha obrigação legal de denunciar o amigo. A tese defende que Marvin agiu movido por medo e imaturidade, sem intenção de instigar ou auxiliar nos homicídios. “Ele não tinha obrigação legal de denunciar. A gente coloca sendo reprovável a conduta dele do ponto de vista moral, ético, cristão, mas jamais reprovável do ponto de vista jurídico-criminal”, afirmou o advogado. Marvin, que possui sanidade mental atestada por laudo psiquiátrico de 2018, mantém vida discreta e trabalha com o pai, além de gerir uma microempresa no ramo editorial desde 2023.
Para os familiares das vítimas, a prolongada tramitação do processo representa uma falha do sistema judiciário. Walfran Campos, tio das vítimas e irmão de Marcos Campos Nogueira, classificou a situação como “exemplo de impunidade”. Ele reforça que as mensagens trocadas comprovam que Marvin deu dicas sobre esquartejamento e fuga, e questiona a omissão do jovem, que soube dos planos horas antes do massacre e nada fez para impedir ou alertar as autoridades. “Marvin é a cara da impunidade no Brasil. Deu dica de tudo, está escrito no WhatsApp toda a conversa”, desabafou Walfran, que afirma não guardar ódio, mas exigir justiça. O caso segue sob análise da Justiça paraibana, com expectativa de nova fase instrutória na primeira instância.
