- 16/11/2025
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Chile Decide: Eleitores Vão às Urnas em Eleição Presidencial Apertada
Os chilenos foram às urnas neste domingo (16) para escolher um novo presidente em uma eleição marcada pela incerteza e pela divisão política. Com oito candidatos na disputa, nenhum deles parece ter vantagem suficiente para garantir a vitória no primeiro turno, o que torna praticamente inevitável um segundo turno marcado para 14 de dezembro. As seções eleitorais abriram às 8h, horário local (11h GMT), e permanecerão abertas até as 18h, podendo ser estendidas caso haja filas.
O presidente Gabriel Boric, que votou antecipadamente em sua cidade natal, Punta Arenas, no extremo sul do país, destacou a importância do momento político. “Estes são os momentos em que, além das legítimas diferenças inerentes à democracia, que devem ser expressas com respeito, também nos unimos na busca de um futuro comum”, afirmou Boric enquanto segurava sua filha pequena, Violeta, nos braços.
A corrida presidencial está polarizada entre o centro-esquerda governista, representado pela candidata comunista Jeannette Jara, e uma direita fragmentada entre três candidatos. Pesquisas realizadas antes da proibição legal de divulgação indicavam José Antonio Kast, um conservador controverso, como líder nas intenções de voto. No entanto, mesmo com a vantagem inicial de Jara, as projeções apontam que ela provavelmente perderia no segundo turno para qualquer adversário de direita.
O retorno do voto obrigatório nas eleições presidenciais, após quase duas décadas de abstenção voluntária, é outro fator relevante deste pleito. Na última eleição presidencial, em 2021, a abstenção atingiu impressionantes 53%. Agora, quem não comparecer às urnas estará sujeito a multas, embora estrangeiros residentes no país estejam isentos dessa penalidade. Apenas 5% do eleitorado total é composto por estrangeiros aptos a votar.
Além da disputa presidencial, os eleitores decidem hoje sobre eleições parciais para o Congresso, que podem alterar o equilíbrio de poder no Legislativo. Para aprovar reformas constitucionais, é necessário o apoio de quatro sétimos dos parlamentares – 29 senadores e 89 deputados. Esse cenário adiciona ainda mais complexidade ao processo político, já que o próximo governo precisará negociar apoios para implementar suas propostas.
Dentre os temas dominantes na campanha estão o aumento da violência, o crime organizado e a imigração ilegal. Candidatos têm apontado organizações criminosas como o Tren de Aragua, de origem venezuelana, como responsáveis pelo agravamento dessas questões. Curiosamente, os principais postulantes ao cargo evitaram apresentar propostas detalhadas para o setor de mineração, crucial para a economia chilena. O Chile é o maior produtor mundial de cobre e o segundo maior de lítio, mas essas riquezas parecem ter ficado em segundo plano durante a campanha.
