• 20/07/2026
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Eduardo Bolsonaro obtém residência permanente nos EUA sob governo Trump, em meio a tensões diplomáticas e condenação no STF

Eduardo Bolsonaro obtém residência permanente nos EUA sob governo Trump, em meio a tensões diplomáticas e condenação no STF

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu o green card — documento que garante residência permanente — ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). A autorização estende-se também à esposa e aos filhos do parlamentar. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (20) pela colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, e posteriormente confirmada pelo portal Metrópoles.

Com o documento em mãos, Eduardo Bolsonaro passa a ter direito de viver, trabalhar e estudar nos Estados Unidos por tempo indeterminado, sem necessidade de renovações ou autorizações especiais periódicas. O ex-parlamentar reside no país norte-americano desde o final de fevereiro de 2025. Embora o green card equipare o estrangeiro a um cidadão americano em diversos aspectos civis e econômicos, ele não confere plenitude política: Eduardo permanece impedido de votar nas eleições locais ou concorrer a cargos públicos que exijam cidadania nata ou naturalizada dos EUA.

A concessão do benefício ocorre em um cenário de significativo desgaste nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos. Na quarta-feira passada (15), Washington oficializou a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, encerrando uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A medida pune o Brasil sob a acusação de adotar práticas comerciais consideradas desleais e prejudiciais aos exportadores americanos.

O timing da notícia coincide ainda com desdobramentos jurídicos graves no Brasil. No mês anterior, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a quatro anos e dois meses de reclusão pelo crime de coação no curso do processo. Segundo a Corte, ficou comprovado que o ex-deputado atuou nos EUA para tentar interferir na ação penal contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado por tentativa de golpe de Estado. Nas investigações, o próprio Eduardo admitiu articulações com a administração Trump visando defender sanções contra autoridades brasileiras e promover medidas econômicas punitivas contra o Brasil.

Juridicamente, a posse do green card não blindaria Eduardo contra um eventual pedido de extradição formulado pelo Brasil. No entanto, a condição de residente permanente tende a complexificar o processo, exigindo análises diplomáticas e jurídicas mais profundas por parte das autoridades americanas. Nesse contexto, o apoio declarado do governo Trump à família Bolsonaro é visto como um fator político que pode influenciar decisivamente a resposta dos EUA a qualquer requisição judicial brasileira.

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