• 20/06/2026
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Flávio Bolsonaro pressiona PL de PE por palanque governista; estratégia pode forçar segundo turno e beneficiar Raquel Lyra

Flávio Bolsonaro pressiona PL de PE por palanque governista; estratégia pode forçar segundo turno e beneficiar Raquel Lyra

A disputa eleitoral em Pernambuco ganhou novos contornos estratégicos após um encontro realizado esta semana em Brasília entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e Anderson Ferreira, presidente estadual do PL em Pernambuco. Na reunião, Flávio deixou clara sua intenção: se a legenda não apresentar um candidato robusto ao Senado — citando nominalmente o próprio Anderson ou o deputado federal Mendonça Filho —, o partido deve lançar um nome para o Governo do Estado. O objetivo é garantir a presença de Flávio em palanques pernambucanos durante a campanha.

Procurado pela imprensa, Anderson Ferreira evitou confirmar qualquer decisão definitiva, alegando que os rumos do PL serão traçados em uma reunião marcada para a próxima quinta-feira. No entanto, fontes da direção nacional do partido corroboraram a ocorrência do encontro e detalharam o teor das conversas. Segundo esses interlocutores, a responsabilidade de definir o cenário cabe à direção estadual, que deve optar entre lançar um dos nomes cotados ao Senado ou apresentar um candidato a governador menos expressivo, cuja função principal seria divulgar a legenda (número 22) e acompanhar Flávio Bolsonaro em suas agendas pelo estado.

A estratégia, contudo, carrega riscos políticos significativos para a atual governadora Raquel Lyra (PSDB). Candidaturas ao Senado pelos nomes citados (Anderson ou Mendonça) tenderiam a ser disputas “avulsas”, sem impactar diretamente a corrida executiva. Por outro lado, um candidato a governador pelo PL poderia fragmentar o eleitorado e levar a eleição para o segundo turno. Para Raquel, que lidera as pesquisas atuais, a vitória no primeiro turno é o cenário ideal, evitando desgaste adicional e incertezas típicas de uma disputa prolongada.

Cálculos eleitorais e o fantasma do segundo turno

A possibilidade de uma candidatura bolsonarista ao governo reverberou rapidamente nos bastidores políticos de Pernambuco. Deputados estaduais, tanto da base governista quanto da oposição, chegaram a calcular que um candidato do PL poderia capturar cerca de 8% dos votos. Se somados aos votos projetados para Ivan Moraes, jornalista e pré-candidato do PSOL, esse bloco poderia atingir a marca de 10% do eleitorado. Nesse patamar, a matemática eleitoral sugere que seria praticamente inevitável a realização de um segundo turno, complicando o plano de campanha da governadora.

As resistências internas também pesam na equação. Anderson Ferreira já demonstrou preferência pela candidatura à reeleição como deputado federal. Já Mendonça Filho enfrenta hesitações familiares para concorrer ao Senado, embora tenha tido desempenho competitivo em 2018, quando foi derrotado por Jarbas Vasconcelos por uma margem estreita de 128 mil votos, na chapa apoiada pelo então governador Paulo Câmara.

Movimentações no tabuleiro do Senado

Enquanto o PL define seus passos, outros pré-candidatos ao Senado intensificam suas articulações. O deputado federal Eduardo da Fonte (PP) marcou o início de sua pré-campanha pela Federação União Progressista com um ato político em Aliança, na Mata Norte, reunindo centenas de moradores e diversas lideranças municipais. A escolha da data não foi aleatória: coincidiu estrategicamente com o tradicional “Forró dos Coelhos”, evento organizado pela família do ex-senador Fernando Bezerra Coelho em Petrolina, onde seu filho, Miguel Coelho, também pré-candidato ao Senado pela mesma federação, articulava apoios. A própria governadora Raquel Lyra, em agenda no Sertão do São Francisco, foi convidada para o evento, evidenciando a complexidade das alianças regionais.

Por sua vez, o senador Humberto Costa (PT) adota uma postura híbrida em sua pré-campanha. Buscando ampliar sua base de sustentação, ele tem visitado municípios do interior de duas formas distintas: em cidades onde os prefeitos apoiam Raquel Lyra, como Gravatá (onde conta com o apoio do prefeito Joselito Gomes), Humberto atua sozinho para não constranger os gestores aliados à governadora. Em localidades onde o apoio vem exclusivamente da oposição, ele aparece acompanhado do presidenciável João Campos (PSB), equilibrando as forças políticas em jogo.

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