- 13/10/2026
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Fraude na cota de gênero ameaça cassar quatro deputados federais eleitos em Pernambuco
Um esquema suspeito de fraude eleitoral, conhecido como “candidatura laranja”, pode provocar uma reviravolta na composição da bancada federal de Pernambuco. A situação envolve a prestação de contas de Cabo Nayllis (PP), candidata a deputada federal nas eleições de 2026, que recebeu recursos vultosos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (Fundão), mas obteve uma votação irrisória.
Segundo os dados apurados, a candidata recebeu R$ 822 mil exclusivamente da Direção Nacional do PP, repassados via Pix. No entanto, ao final do pleito, ela conquistou apenas 217 votos. Essa disparidade resultou no absurdo custo de R$ 3.788,02 por voto, o maior registrado no estado neste ciclo eleitoral.
Indícios de empresa fantasma e desvio de recursos
As suspeitas não param pela baixa votação. A análise das despesas da campanha revela que mais de R$ 360 mil foram gastos apenas com publicidade impressa e adesivos. O ponto mais crítico recai sobre a segunda maior fornecedora da chapa, a microempresa individual de Greyce Kelly de Carvalho Silva, que recebeu R$ 145.300,00.
Investigações preliminares apontam que a empresa, supostamente uma gráfica, possui endereço divergente do real e utiliza números de telefone claramente fictícios, como (81) 01010101 e (81) 02020202. Além disso, não há registros de material de campanha divulgado nas redes sociais informadas ao TSE, e a própria candidata referiu-se à disputa apenas como uma “experiência” e um “convite” em suas poucas publicações.
Quatro mandatos em risco
Caso o Ministério Público Eleitoral (MPE) prove que a candidatura foi uma manobra para burlar a cota feminina de gênero, a legislação prevê a cassação de toda a chapa proporcional. Isso significaria a anulação de 865.473 votos da federação, fazendo o quociente eleitoral cair de 210.580 para 175.961.
A consequência direta seria a perda dos mandatos de quatro deputados federais eleitos:
– Juliana de Chaparral (União Brasil)
– Fernando Filho (União Brasil)
– Lula da Fonte (PP)
– Clarissa Tércio (PP)
Quem assumiria as vagas?
Se a cassação for confirmada, a representação política de Pernambuco sofreria uma alteração drástica. As vagas seriam redistribuídas para os seguintes suplentes ou candidatos não eleitos com maior votação residual:
– Lucas Ramos (PSB)
– Sargento Almeida (PSD)
– Renildo Calheiros (PCdoB)
– Coronel Meira (PL)
O caso segue sob sigilo parcial enquanto o MPE coleta provas, mas já gera tensão nos bastidores políticos do estado, onde a troca de poder entre partidos tradicionais e a entrada de novas forças poderia redefinir alianças futuras na Câmara dos Deputados.
