• 10/05/2026
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Mães endividadas: mulheres são maioria entre inadimplentes e enfrentam barreiras no mercado de trabalho

Mães endividadas: mulheres são maioria entre inadimplentes e enfrentam barreiras no mercado de trabalho

O primeiro trimestre de 2026 fechou com um alerta vermelho para as finanças dos brasileiros. Segundo o “Mapa da Inadimplência” da Serasa, divulgado em março, o país atingiu a marca de 82,8 milhões de pessoas com o nome negativado, um aumento de 1,35% em relação ao período anterior. Por trás desses números frios, esconde-se uma realidade social marcada por gênero: as mulheres agora representam 50,6% do contingente de inadimplentes. O volume total de dívidas no país chegou a R$ 557 bilhões, com uma média individual de R$ 6.728,51.

Para muitas mães, que frequentemente assumem a gestão do orçamento doméstico ou são chefes de família, essa carga não é apenas um inconveniente burocrático, mas uma ameaça direta à sobrevivência. A dificuldade em honrar compromissos financeiros compromete o acesso a itens básicos, transformando a luta pelo sustento em uma corrida contra o relógio.

As vilãs do orçamento familiar

A análise detalhada das pendências mostra que os bancos e as faturas de cartão de crédito continuam sendo os principais vilões, respondendo por 27,3% do total das dívidas. Logo em seguida, aparecem as chamadas “utilities” — contas essenciais de água, luz e gás — que representam 21% dos atrasos. Isso indica que, antes mesmo de pagar luxos, muitas famílias estão tendo dificuldades para manter o básico funcionando.

O impacto é sentido com maior intensidade na faixa etária economicamente ativa. Mulheres entre 41 e 60 anos concentram 35,5% da inadimplência, seguidas pelas jovens adultas de 26 a 40 anos, com 33,5%. São mães em plena capacidade produtiva, tentando equilibrar a inflação dos custos de vida com a necessidade de prover para seus lares.

Desigualdade regional e o peso do Nordeste

O endividamento não atinge todos os cantos do país com a mesma intensidade. No ranking estadual, o Amapá lidera com 65,1% da população adulta inadimplente, seguido pelo Distrito Federal (62,77%) e pelo Rio de Janeiro (59,33%). Nacionalmente, mais da metade dos adultos (50,51%) possui algum débito em atraso.

No Nordeste, Pernambuco ocupa a quarta posição em percentual de inadimplência. O estado fica atrás do Ceará (53,27%) e do Rio Grande do Norte (51,33%), mas à frente de Alagoas (47,15%), demonstrando que a crise financeira castiga fortemente a região.

Renegociação: um sopro de alívio

Apesar do cenário sombrio, houve movimento nos bastidores do crédito. Em março, cerca de 4,3 milhões de consumidores conseguiram renegociar suas dívidas por meio de plataformas especializadas. Esses acordos geraram mais de R$ 18,4 bilhões em descontos. Com um ticket médio de R$ 756 por acordo, as famílias buscam desesperadamente limpar o nome e recuperar o fôlego financeiro, ainda que isso signifique assumir novos compromissos a longo prazo.

O preconceito contra a maternidade

Enquanto as contas se acumulam, o mercado de trabalho fecha as portas. Um estudo realizado pela B3 em parceria com o Instituto Locomotiva, intitulado “Iniciativas empresariais de diversidade: a visão dos consumidores”, escancara o preconceito estrutural. A pesquisa revela que 77% dos brasileiros acreditam que mulheres com filhos enfrentam desafios desproporcionais no ambiente corporativo.

Entre as próprias mães, a percepção de exclusão é ainda mais dolorosa: 86% delas afirmam sofrer discriminação, contra 68% dos homens sem filhos que percebem essa desigualdade. Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, destaca que esses dados vão além da discussão superficial sobre representatividade; eles mostram que a sociedade está consciente das barreiras reais que truncam trajetórias profissionais.

O etarismo também surge como um fator agravante, com 74% dos respondentes apontando a falta de oportunidades para pessoas mais velhas. Embora 81% dos brasileiros considerem o apoio à diversidade essencial, a realidade dos cargos de liderança continua homogênea: dominada por homens, brancos e sem deficiência. Para a mulher brasileira, especialmente a mãe, o caminho para a estabilidade financeira e profissional continua sendo uma uphill battle, uma subida íngreme contra ventos contrários.

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