- 13/05/2026
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Mendonça Filho exige contrapartidas do governo após fim da taxação de importados e alerta para risco ao Polo de Confecções
O deputado federal Mendonça Filho (União-PE) cobrou, nesta quarta-feira (13), medidas compensatórias imediatas do Governo Federal para proteger o Polo de Confecções do Agreste. A exigência surge em resposta à decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de zerar a tributação sobre compras internacionais de pequeno valor, popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. Para o parlamentar, a medida, sem um contrapeso para a indústria local, coloca em xeque a sobrevivência do setor têxtil e do varejo nacional.
Como presidente da Frente Parlamentar de Ambiente de Negócios, Mendonça argumentou que a simples redução de impostos sobre produtos vindos do exterior, sem uma reforma paralela que alivie a carga tributária das empresas brasileiras, cria um cenário de concorrência desleal. Em declaração contundente, o deputado afirmou que a estratégia visa apenas interesses eleitorais: “Zerar a taxa das blusinhas, sem reduzir impostos para as confecções e o varejo nacional, apenas para atender interesse eleitoral, é punir quem produz, emprega e paga impostos no Brasil”.
O impacto direto dessa política, segundo a avaliação do parlamentar, será sentido com maior intensidade no coração da moda popular nordestina: o Polo de Confecções do Agreste, que engloba municípios estratégicos como Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama. Mendonça destacou que mais de 90% dos negócios da região são micro e pequenas empresas, estruturas financeiras muito mais frágeis e vulneráveis à pressão de preços praticada por importados subsidiados ou sem tributação equivalente.
Os números apresentados pelo deputado ilustram a magnitude do setor. Somente nos três principais municípios, o polo reúne mais de 6 mil indústrias e é responsável por gerar mais de 32 mil empregos formais diretamente ligados à cadeia da moda. “O setor sustenta milhares de famílias e movimenta a economia de dezenas de cidades do Agreste. Não podemos assistir ao desmonte de um segmento tão importante sem cobrar medidas efetivas do Governo”, alertou.
Embora reconheça o direito do consumidor brasileiro de buscar produtos com preços mais acessíveis, Mendonça Filho enfatiza que o Estado não pode abrir mão de seu papel regulador para garantir isonomia competitiva. “Quem vai defender as fábricas e as lojas que geram renda nessas cidades, pagam impostos e sustentam famílias? Quem vai proteger os pequenos e médios comerciantes da concorrência desleal? O Governo Lula tem que apresentar uma solução para o problema”, questionou.
Na visão do deputado, a extinção da cobrança, que originalmente tinha caráter arrecadatório, em pleno ano eleitoral, revela uma motivação puramente política. Diante do cenário, Mendonça conclamou a bancada pernambucana no Congresso Nacional a se mobilizar em defesa da produção local, buscando alternativas legislativas que preservem os postos de trabalho e a saúde econômica do Agreste.
