- 30/06/2025
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Motta Defende Derrubada do IOF e Rejeita Acusações de Traição ao Planalto
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reiterou nesta segunda-feira (30) sua defesa da decisão do Congresso que anulou três decretos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que elevavam as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Em publicação nas redes sociais, Motta classificou como “fake” a narrativa de que o Palácio do Planalto teria sido traído ou surpreendido com a votação.
Capitão que vê o iceberg e não avisa é cúmplice
No vídeo divulgado, Motta afirmou que avisou previamente ao governo sobre a dificuldade em aprovar a proposta no Parlamento. “Capitão que vê o barco indo em direção ao iceberg e não avisa não é leal, é cúmplice. E nós avisamos ao governo que essa matéria do IOF teria muita dificuldade de ser aprovada”, declarou. O presidente da Câmara também enfatizou que seu papel não é servir a projetos políticos individuais, mas ao país: “Presidente de qualquer Poder não pode servir a um partido, tem que servir ao seu país”.
A votação que derrubou os decretos foi uma derrota histórica para o governo Lula. Na Câmara, 383 deputados apoiaram a medida contra apenas 98 contrários, sendo que 242 votos vieram de partidos integrantes da base governista. Já no Senado, a decisão foi aprovada de forma simbólica, sem registro nominal. Para Motta, a unidade entre deputados de esquerda e direita demonstra que o Congresso está atento às necessidades do povo brasileiro.
Críticas à polarização política e social
Na mesma postagem, Motta criticou duramente o discurso de “nós contra eles”, que, segundo ele, alimenta uma polarização social prejudicial ao país. “Quem alimenta o nós contra eles acaba governando contra todos. A Câmara dos Deputados, com 383 votos de deputados de esquerda e direita, decidiu derrubar um aumento de imposto sobre o IOF, um imposto que afeta toda a cadeia econômica. A polarização política do Brasil tem cansado muita gente, e agora querem criar a polarização social”, destacou.
Ele também repetiu a ideia de que outras “pautas importantes para o país” foram aprovadas recentemente e que sua posição sempre será guiada pelo interesse nacional. “Se uma ideia for ruim para o Brasil, eu vou morder. Mas, se essa ideia for boa, eu vou assoprar”, declarou.
Reações do governo e análise jurídica
O governo Lula acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para avaliar se a decisão da Câmara fere a autonomia entre os poderes. Em entrevista à GloboNews na última sexta-feira (27), o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou que, se a AGU considerar que houve usurpação de prerrogativas do Executivo, o presidente pode recorrer à Justiça. “Ele jurou cumprir a Constituição Federal e não pode abrir mão de decisões que são do Executivo”, afirmou.
Já o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), minimizou as tensões. Questionado sobre a declaração de Motta, ele afirmou ser um “direito” do presidente da Câmara se posicionar. Sobre a possibilidade de judicialização da decisão, Wagner disse que é um “direito” de Lula buscar a Justiça, negando que isso configure uma afronta ao Congresso.
Contexto político e pressões
Nos bastidores, analistas políticos apontam que a mudança de tom de Motta e outros parlamentares foi influenciada por pressões internas no Congresso e reclamações do mercado financeiro. Além disso, o atraso na liberação de recursos de emendas parlamentares e decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) também podem ter contribuído para o cenário atual.
Em meio às articulações políticas, o discurso de Motta ganhou força ao longo das últimas semanas, especialmente após críticas públicas ao pacote de medidas sugerido pelo Ministério da Fazenda como alternativa ao aumento do IOF. Durante encontros com empresários e em suas redes sociais, ele afirmou que comunicou ao Planalto que as mudanças propostas teriam “reação muito ruim”.
