- 09/02/2025
- Sem Comentário
- 4 Minutos de Leitura
O preço da má gestão fiscal: quem realmente paga essa conta?

Nos últimos dois anos, especialmente após a pandemia e a mudança no governo federal, a política fiscal tornou-se o epicentro dos debates econômicos no Brasil. E, sempre que questionado sobre o tema, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recorre às mesmas estratégias: minimizar a gravidade da situação ou atribuir a culpa a terceiros, como o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Assumir a responsabilidade pelo desajuste nas contas públicas, no entanto, parece estar fora de cogitação.
A política fiscal se sustenta em dois pilares: a receita – que envolve a arrecadação de tributos por parte do Estado – e a despesa – que trata da forma como esses recursos são utilizados, incluindo gastos públicos e pagamento de dívidas. Como a arrecadação tributária raramente é suficiente para cobrir as despesas, o governo recorre ao endividamento para fechar as contas. O problema é que essa equação já ultrapassou os limites do sustentável. Com uma carga tributária que consome 34% do PIB e uma dívida pública projetada para alcançar 86,3% do PIB até o fim do atual mandato, o Brasil se encontra em um ciclo vicioso de déficits e crescimento anêmico.
A crença popular de que a dívida pública é um problema exclusivo dos grandes bancos é equivocada. Quem financia o governo, na prática, é a sociedade como um todo – trabalhadores, empresários e investidores que, direta ou indiretamente, aplicam recursos no sistema financeiro. Quando o governo se endivida além da conta, reduz o crédito disponível para o setor produtivo e a população, freando investimentos e limitando o crescimento econômico.
O endividamento descontrolado não apenas impõe um limite natural ao crescimento da dívida – que, se ultrapassado, pode levar o país ao colapso fiscal –, como também gera um custo adicional: os juros da dívida, que consomem uma fatia crescente da arrecadação e comprometem investimentos em infraestrutura e serviços essenciais. Com um governo cada vez mais dependente de novos empréstimos para cobrir déficits, sobra menos espaço para políticas públicas eficientes e sustentáveis.
A retórica de que “gasto é vida”, frequentemente utilizada por governos petistas, mascara uma dura realidade: quando os gastos públicos não são equilibrados, a economia sofre. A história está repleta de exemplos de nações que sucumbiram à inflação e ao colapso econômico devido à irresponsabilidade fiscal. E, no Brasil, os sinais desse desajuste já são sentidos no dia a dia da população, seja pela alta nos preços, pela dificuldade de acesso ao crédito ou pela precarização dos serviços públicos.
A resposta para essa crise passa, inevitavelmente, por responsabilidade fiscal, controle dos gastos e reformas estruturais. O Brasil precisa sair do círculo vicioso de déficits e endividamento para garantir um crescimento sustentável e um futuro menos oneroso para os cidadãos. Mas, enquanto o governo insistir em negar a realidade e culpar terceiros, a conta continuará pesando no bolso dos brasileiros.