- 13/07/2026
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Paciente terminal realiza sonho de casar no hospital dois dias antes de falecer
O amor não espera, especialmente quando a vida cobra pressa. Ana Paula Ribeiro, de 26 anos, venceu a burocracia e a doença para viver um dos momentos mais esperados de sua vida. Internada com um quadro agravado de linfoma não Hodgkin de células T, ela oficializou sua união com Felipe Alves, de 32 anos, dentro do Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa. A cerimônia, organizada às pressas por uma rede solidária de voluntários e profissionais da saúde, aconteceu na última sexta-feira (3). Apenas 48 horas depois, no domingo (5), Ana Paula partiu, deixando duas filhas pequenas e a certeza de que seu último desejo foi atendido.
O casal se conheceu pelas redes sociais há oito anos e construiu uma história baseada na cumplicidade. O diagnóstico do câncer surgiu após o nascimento da filha mais nova, que tinha apenas três meses na época, interrompendo os planos de celebrar o matrimônio em uma igreja tradicional, assim que Ana Paula estivesse recuperada. “Eu pedi para ela esperar ficar boa para casarmos no altar. Infelizmente, não deu tempo”, relatou Felipe, visivelmente emocionado ao recordar a trajetória compartilhada.
Com a rápida deterioração do estado de saúde, a urgência tomou conta. O que era um projeto para o futuro tornou-se uma missão imediata. Em menos de uma semana, voluntários conseguiram um vestido de noiva, alianças, bolo, música e a presença de um pastor. “Ela ficou muito feliz. Foi tudo planejado com carinho. Ela colocou a aliança no meu dedo e eu no dela. Foi lindo”, descreveu o viúvo, destacando a alegria que predominou sobre a tristeza naquele momento singular.
A articulação para realizar o sonho de “Paulinha” — como era carinhosamente chamada — teve início com a atuação de Maria de Lourdes, conhecida como “Lurdinha” ou “Bom Te Ver”. Há 20 anos atuando como palhaça voluntária em hospitais, ela entrou na enfermaria durante uma visita de rotina e encontrou Ana Paula angustiada com a queda de cabelo. Após cortar os fios, doar turbantes e brincar com a paciente, ouviu o desabafo: o desejo de sair dali vestida de noiva.
“Prometi que ia me esforçar. Fui à diretoria, que apoiou imediatamente. Publiquei um pedido de doação de alianças e a resposta foi rápida”, explicou Lurdinha. No entanto, o caminho não foi livre de obstáculos. Houve resistência inicial relacionada a protocolos sanitários, com a informação de que a cerimônia deveria ser adiada até a melhora clínica da paciente. Diante da gravidade do caso, a equipe médica e a vigilância sanitária flexibilizaram as regras para garantir o bem-estar emocional de Ana Paula.
Em poucos dias, uma verdadeira “equipe de anjos” se formou. Chegaram vestidos, acessórios, um violão para embalar a celebração e muito afeto. Todos seguiram rigorosamente os protocolos de higiene, usando máscaras, luvas e capas, mas sem deixar que o plástico frio separasse o calor humano. “Deus fez melhor. Ouvir Paulinha dizer que nunca iria me esquecer e ver todos chorando de emoção mostrou que não foi só um casamento, foi uma história de vida contada em uma semana”, concluiu a voluntária. Para ela, a frase dita pela noiva — “estou tão feliz” — resume o propósito de duas décadas de trabalho humanizado nos corredores hospitalares.



