• 03/04/2026
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Páscoa celebra renascimento e renovação da fé cristã; veja o significado da data

Páscoa celebra renascimento e renovação da fé cristã; veja o significado da data

A Páscoa, comemorada neste domingo (5), representa muito mais do que uma data no calendário: é a celebração máxima da fé cristã, remetendo ao momento da ressurreição de Jesus Cristo, conforme narrado no Novo Testamento. Para os fiéis, trata-se do ápice de um ciclo espiritual que convoca à reflexão, à esperança e à transformação interior.

A definição da data segue um critério astronômico e litúrgico: ocorre sempre após a primeira lua cheia subsequente ao equinócio de primavera no Hemisfério Norte. Essa regra foi estabelecida pela Igreja Católica no Primeiro Concílio de Niceia, em 325 d.C., unificando a celebração em todo o mundo cristão.

Raízes históricas e simbolismo universal

O significado da Páscoa transcende o âmbito estritamente religioso, dialogando com história, cultura e tradições ancestrais. Para a professora de história Lídia Rafaela, a festividade tem origens em povos nômades pastores, que já associavam a primavera ao renascimento da natureza — uma simbologia posteriormente ressignificada pelas religiões monoteístas.

“Essa festa tem origem no período de pastores nômades, que já associavam esse período da primavera a um tempo de ressurgimento da vida, que vai sendo reapropriado pelas religiões monoteístas e cristãs”, explica a especialista.

No judaísmo, a Páscoa (Pessach) rememora a libertação do povo hebreu da escravidão no Egito e a jornada rumo à Terra Prometida. Já para os cristãos, a data ganha nova camada de significado: a vitória de Cristo sobre a morte e a promessa de vida eterna para todos os que creem.

A perspectiva católica: da Paixão à Ressurreição

Na tradição católica, o Domingo de Páscoa sucede a Sexta-Feira Santa — também chamada de Sexta-Feira da Paixão —, que recorda a crucificação de Jesus pelos romanos no Calvário, por volta do ano 30 d.C. A passagem do luto à alegria simboliza o mistério central da fé: a ressurreição como ato de libertação definitiva.

“A Páscoa passa a ser um novo rito de passagem de libertação, como fora no período que não era Páscoa e era uma celebração de mudança de tempo no Hemisfério Norte e como foi com os judeus. Mas com os cristãos passa a ter essa ideia de ressurreição do sacrifício de Cristo e a ressurreição da vida para todos”, contextualiza Lídia Rafaela.

O padre Delmar Cardoso, reitor do Santuário de Nossa Senhora de Fátima e vice-reitor da Universidade Católica de Pernambuco, destaca que o verdadeiro sentido da data está alicerçado em valores como união, amor ao próximo e prática da solidariedade.

“Essa ressurreição significa que todos aqueles que creem em Cristo prosseguem nesta vida buscando praticar o amor, a concórdia e a união entre as pessoas”, afirma o sacerdote.

Semana Santa e Quaresma: um caminho de preparação

A celebração pascal não ocorre isoladamente. Ela é precedida pela Semana Santa, que se inicia no Domingo de Ramos — marcando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém — e percorre momentos como a Quinta-Feira Santa, que recorda a Última Ceia, até culminar no Domingo da Ressurreição.

Antes disso, os fiéis vivem a Quaresma: um período de 40 dias de oração, jejum e penitência, iniciado na Quarta-Feira de Cinzas, logo após o Carnaval. Trata-se de um tempo propício para o autoexame e o fortalecimento espiritual.

“A Quaresma é um tempo para nós nos reconhecermos pecadores. A Igreja pede a todos que haja uma penitência, que haja uma atitude de oração, de esmola, mas ela pede um sinal externo”, orienta o padre Delmar Cardoso.

Como parte dessa prática, muitos cristãos abstêm-se de consumir carne vermelha em dois dias específicos: Quarta-Feira de Cinzas e Sexta-Feira Santa. Mais do que um ritual alimentar, o gesto simboliza desapego, solidariedade e sintonia com o sofrimento alheio.

“É essa ideia de renovação, de ser um tempo em que a gente lembra que os sacrifícios passam, que os sofrimentos passam, que a vida se renova e que a fertilidade volta. Essa ideia de que a gente se reúne, tem esse momento de relembrar o positivo e o renascimento”, sintetiza a professora Lídia Rafaela.

O padre Delmar encerra reforçando o convite à introspecção e à prática do bem: “Nesse período, a gente busca orar mais, praticar mais o amor e a caridade e olhar para si mesmo. Esse é o sentido do jejum: olhar para o nosso próprio corpo e nos solidarizar com as pessoas que sofrem, mas especialmente com Cristo, que sofreu por nós para nos dar uma vida nova e verdadeira”.

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